CFM aprova regras para uso do fenol, apesar de substância estar proibida pela Anvisa
Conselho Federal de Medicina estabelece normas rígidas para procedimentos com fenol, mesmo após veto da Anvisa em 2024
O Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou uma resolução que autoriza e define regras para o uso do fenol em procedimentos terapêuticos, estéticos e cirúrgicos. A substância, entretanto, está proibida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde junho de 2024.
A decisão da Anvisa foi motivada pela morte de um homem de 27 anos após a realização de um "peeling de fenol" em uma clínica na zona sul de São Paulo. O procedimento, considerado agressivo, é utilizado para rejuvenescer a pele e suavizar rugas, mas o fenol apresenta riscos de toxicidade para o coração e os rins.
Em nota ao Estadão, o CFM destacou que as regras publicadas são rigorosas para garantir a segurança de pacientes e equipes. “O fenol é uma ferramenta terapêutica importante e deve ser utilizado com responsabilidade, seguindo todos os protocolos de segurança”, afirmou a conselheira federal Yáscara Lages, relatora da resolução. A Anvisa não se manifestou sobre a decisão do CFM.
Entre as normas estabelecidas pelo CFM para os procedimentos com fenol, que seguem proibidos pela Anvisa, estão:
- Apenas médicos estão autorizados a realizar procedimentos com fenol; eles devem possuir capacitação específica e treinamento atualizado em Suporte Avançado de Vida (ACLS), estando aptos a avaliar riscos e manejá-los adequadamente;
- Avaliação prévia obrigatória do paciente, incluindo triagem rigorosa, exames clínicos, laboratoriais e eletrocardiográficos;
- Uso obrigatório de equipamentos de proteção individual por todos os profissionais envolvidos;
- Utilização exclusiva de fórmulas cientificamente validadas, com composição conhecida e padronizada;
- Responsabilidade integral do médico por todas as etapas do tratamento, incluindo aquisição, prescrição, preparo, aplicação e acompanhamento, sendo vedada a comercialização, empréstimo ou cessão do fenol.
O CFM defende que, se utilizado de forma adequada, o fenol pode trazer benefícios ao paciente, mas reconhece os riscos associados. “Sua toxicidade sistêmica pode causar complicações graves, como arritmias cardíacas potencialmente fatais e insuficiência renal. Portanto, procedimentos com fenol devem ser realizados apenas por médicos capacitados e em ambientes controlados”, ressalta a exposição de motivos da resolução, assinada por Yáscara Lages e Graziela Bonin.
Em nota divulgada em 2024, a Anvisa justificou a proibição como medida de proteção à saúde e integridade física da população, afirmando que não havia comprovação científica suficiente sobre a eficácia e segurança do fenol para procedimentos estéticos ou de saúde em geral.
A restrição permanece em vigor enquanto seguem as investigações sobre os potenciais riscos do uso da substância em procedimentos invasivos.