POLÍTICA & ECONOMIA

Renan Calheiros propõe que FGC cubra prejuízos de fundos de previdência no Banco Master

Projeto de lei amplia proteção do FGC para depósitos de regimes de previdência afetados pelo rombo no Banco Master; proposta aguarda análise no Senado.

Publicado em 22/05/2026 às 18:06
Renan Calheiros

O senador Renan Calheiros (MDB-AL) apresentou, nesta semana, um projeto de lei que amplia a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para depósitos realizados por Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) e entidades de previdência complementar do Distrito Federal, estados e municípios no Banco Master.

A proposta sugere a inclusão de um novo artigo na Lei 9.710/1998, assegurando "cobertura integral aos depósitos, a qualquer título, dos Regimes Próprios de Previdência Social e de Previdência Complementar do Distrito Federal, dos Estados e dos Municípios, especificamente, no conglomerado do Banco Master".

Além disso, o projeto prevê que essa garantia não fique restrita aos limites estabelecidos atualmente pela Resolução do Conselho Monetário Nacional nº 4.222/2013.

Segundo Renan Calheiros, a medida busca proteger instituições previdenciárias que teriam cometido o "equívoco" de investir recursos no banco, em meio a um "imbróglio" envolvendo desvio de verbas e suspeitas de corrupção.

O texto ressalta, contudo, que o projeto não isenta gestores públicos de investigação e possível responsabilização em casos de dolo ou má-fé.

Após ser apresentado à Mesa Diretora do Senado, o projeto aguarda despacho do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), para tramitação nas comissões. Ainda não há data definida para o início da análise.

Investimentos em risco

Conforme reportagem da Broadcast/Estadão publicada em novembro, dados do Ministério da Previdência indicam que 18 fundos de pensão de servidores públicos investiram, juntos, R$ 1,8 bilhão em títulos do banco comandado por Daniel Vorcaro, preso sob acusações de fraude bancária.

Essas instituições adquiriram letras financeiras emitidas pelo Banco Master, instrumentos que impulsionaram o crescimento da instituição após o Banco Central endurecer as regras para captação de recursos via Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) destinados a pessoas físicas — até então, a principal fonte de financiamento do banco.

A maior exposição está concentrada no fundo de previdência dos servidores do Estado do Rio de Janeiro. O Rioprevidência aplicou cerca de R$ 1 bilhão em papéis do Master, emitidos entre outubro de 2023 e agosto de 2024, com vencimentos previstos para 2033 e 2034.

O segundo maior impacto, segundo o Ministério da Previdência, é no fundo de pensão do Estado do Amapá (Amprev), com R$ 400 milhões investidos no banco. A entidade, que tem entre seus conselheiros o advogado Alberto Alcolumbre, irmão do presidente do Senado, também aplicou outros R$ 250 milhões em letras financeiras do Banco de Brasília (BRB), operação considerada irregular, já que fundos de previdência de servidores não podem adquirir títulos de bancos públicos.