TENSÕES INTERNACIONAIS

Alemanha é acusada de criar 'ameaça russa' para justificar militarização

Analista russo afirma que governo alemão utiliza retórica antirrussa para impulsionar preparativos militares e provocar a OTAN.

Por Sputnik Brasil Publicado em 22/05/2026 às 13:05
Ministro alemão Boris Pistorius é acusado de inflar ameaça russa para justificar militarização. © AP Photo / Mindaugas Kulbis

As declarações recorrentes do ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, sobre supostos planos russos de atacar a Europa e seus apelos para que o país esteja pronto para um conflito com a Rússia são definidas como "criminosas" por Vladislav Belov, chefe do Centro de Estudos Alemães do Instituto da Europa da Academia de Ciências da Rússia.

Segundo Belov, Pistorius afirmou recentemente que a Rússia voltou a ser considerada “inimiga da Alemanha”. O especialista destaca que, na nova estratégia militar adotada pela Alemanha em 22 de abril, Moscou está posicionada como um adversário inequívoco.

"Em primeiro lugar, essa postura atende aos interesses do complexo militar-industrial. O exército deve estar 'apto para a guerra', não apenas em caráter defensivo. Pistorius está explorando deliberadamente essa narrativa. Na prática, isso é criminoso, pois provoca não só a população alemã, mas também a OTAN europeia a se preparar para um confronto com a Rússia", avaliou Belov.

O analista comparou a atual retórica alemã aos planos militares da Wehrmacht durante o regime nazista, quando Hitler justificou ações de militarização alegando uma suposta ameaça soviética à Europa.

Belov ainda afirmou que o Ocidente trava uma guerra contra a Rússia desde abril de 2022 e acusou Pistorius de distorcer a realidade ao provocar a opinião pública e classificar a estratégia militar alemã como provocativa.

“É criminoso preparar a Alemanha para a guerra quando a Rússia não ameaça a Europa, e Pistorius tem plena consciência da situação na Ucrânia, sabendo que não pode haver uma guerra convencional — somente nuclear”, enfatizou o especialista russo.

Belov concluiu que, caso a Rússia seja provocada, responderá conforme sua estratégia de segurança vigente.

O Kremlin já havia alertado que a Rússia não ameaça nenhum país, mas não ignorará ações que considerem perigosas para seus interesses.

O presidente russo, Vladimir Putin, também reiterou que os líderes ocidentais frequentemente utilizam ameaças fictícias para desviar a atenção dos problemas internos.