ECONOMIA

Negociação de dívidas: Geração Z é a que mais apresenta interesse por “quitar dívidas”

Dependência do cartão de crédito pressiona orçamento e faz disparar dívidas e renegociações

Por Edmilson Gomes Publicado em 22/05/2026 às 10:41
Kiwis / iStock

A Geração Z possui alta familiaridade com os meios digitais e tem fácil acesso a conteúdos de finanças em redes sociais e no YouTube. Ainda assim, a infinidade de materiais educativos disponíveis, não foi suficiente para garantir a saúde financeira do grupo. Segundo o Banco Central, a faixa de 15 a 29 anos é hoje a mais inadimplente do mercado, superando todas as outras gerações. 

Esse cenário se reflete diretamente no comportamento de busca: entre abril de 2025 e março de 2026, os jovens concentraram 57,1% de todo o interesse no Google pelo termo “quitar dívidas”.

O levantamento foi realizado pelo Pagou Fácil, plataforma de negociação de dívidas desenvolvida pela Paschoalotto, com o objetivo de analisar o comportamento financeiro e o interesse da Geração Z em solucionar pendências financeiras. A pesquisa considerou o interesse demográfico por termos de regularização de crédito e itens de consumo, com base em dados coletados no Google Brasil, no período de abril de 2025 a março de 2026. 

Por que a Geração Z tem tantas dívidas? Acesso a crédito aumenta e impacta orçamento

O volume de pesquisas pode mostrar que a quantidade de informação disponível não significa necessariamente estabilidade financeira. A tendência da geração, composta por nascidos entre 1997 e 2010, é de busca por soluções de crédito, em vez de estratégias de acumulação. 

A prova é que o número de jovens com acesso a crédito passou de 13,7 milhões em 2016 para 27,6 milhões de pessoas em 2024, registrando crescimento de 101%, de acordo com dados do Relatório de Cidadania Financeira de 2025.

A principal modalidade utilizada pelos jovens é o cartão de crédito. Em 2024, 17 milhões de pessoas dentro da faixa etária da Geração Z utilizaram o cartão à vista e 13 milhões (79%) também usaram o rotativo ou o parcelado do cartão.

Contraste com a geração anterior

A geração atual demonstra maior confiança na economia, em comparação com as anteriores, que enfrentaram períodos de maior instabilidade. No início dos anos 1990, por exemplo, a inflação no Brasil chegou a patamares de 764% ao ano, antes da consolidação do Plano Real. Na prática, os preços subiam diariamente, e o poder de compra dos salários era corroído ao longo do mês. Diante desse contexto, gerações passadas tendiam a priorizar o hábito de poupar para se protegerem do cenário incerto.

Apesar de a prática mostrar uma realidade de maiores gastos da Geração Z, um levantamento da MindMiners, intitulado “Gen Z: os novos autores da cultura”, mostra que 52% dos jovens entre 18 e 28 anos ainda consideram a estabilidade financeira uma prioridade para os próximos dez anos. Por outro lado, há obstáculos apontados, como baixos salários (48%), exigência de experiência prévia (39%), alta concorrência (35%) e falta de networking (32%).

Consumo e estilo de vida: com o que os jovens gastam? 

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Como funciona a renegociação de dívida?

A renegociação de dívida é um processo em que o consumidor e o credor entram em acordo para ajustar condições de pagamento, como prazos, valores ou taxas de juros. O objetivo é tornar a quitação mais viável, evitando a inadimplência e as sanções decorrentes do não pagamento.

Uma forma mais prática de “limpar o nome” é por meio de canais digitais. Plataformas online de bancos, empresas e serviços especializados permitem consultar débitos, simular propostas e fechar acordos. A melhor forma de fazer uma renegociação de dívida online é organizar as pendências, comparar as condições e escolher a proposta que melhor cabe no orçamento. Também é importante verificar taxas de juros, prazos e possíveis encargos.

Mesmo com salário baixo, é possível quitar as dívidas. O ideal é negociar valores reduzidos, buscar prazos mais longos e evitar assumir parcelas que requeiram grande parte da renda. 

Metodologia

A identificação do perfil de interesse em regularização financeira foi realizada por meio da taxa de interesse demográfico para o termo “quitar dívidas” no Google Brasil. A mesma lógica foi aplicada ao gráfico de itens de consumo que os jovens mais buscam. A métrica final consolidada, em ambos os casos, foi a participação e o engajamento da faixa etária de 18 a 24 anos que apresentam maior interesse pelos referidos termos.