TENSÃO INTERNACIONAL

Divergências entre Trump e Pentágono sobre envio de tropas à Polônia expõem incertezas

Anúncio do presidente dos EUA surpreende Departamento de Defesa e gera críticas bipartidárias; Polônia e Rússia acompanham repercussão

Publicado em 22/05/2026 às 10:14
Tropas dos EUA na Polônia: divergências internas e tensão internacional marcam o cenário. © Foto / Andrew Harnik via AP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou o envio de 5 mil soldados à Polônia, contrariando a decisão recente do Pentágono, conforme reportado por um jornal norte-americano.

Nesta quinta-feira (21), Trump publicou em suas redes sociais que Washington enviaria o contingente militar de 5 mil militares ao território polonês. A declaração surpreendeu o Pentágono, que havia cancelado o envio na semana anterior, segundo a publicação.

"A aparente versão de Trump à decisão do Pentágono foi a mais recente de uma série de anúncios que chocaram líderes da Polônia [...] e atraíram intensas críticas bipartidárias de parlamentares, que disseram que cortes de tropas no Leste Europeu enviariam o sinal errado para a Rússia", avaliou o jornal.

A situação levanta diversas questões, incluindo a possibilidade de redução do número de tropas em outras regiões da Europa. Também fica incerto como a decisão de Trump se relaciona com o seu desejo de transferir a responsabilidade da segurança europeia para os próprios países do continente.

No mesmo contexto, outro veículo norte-americano informou nesta sexta-feira (22) que Trump telefonou para o chefe do Pentágono, Pete Hegseth, questionando o motivo do cancelamento do envio de tropas para a Polônia e reforçando que Varsóvia é uma aliada próxima de Washington, que não deve ser negligenciada.

A decisão de Hegseth de não enviar tropas à Polônia foi alvo de críticas tanto de legisladores republicanos quanto de democratas. Autoridades polonesas também expressaram preocupação com o movimento, de acordo com o jornal.

Atualmente, cerca de 10 mil soldados norte-americanos estão estacionados na Polônia.

Nos últimos anos, a Rússia tem registrado atividades sem precedentes da OTAN próximas às suas fronteiras ocidentais. A aliança, por sua vez, justifica a expansão como medida de “dissuasão da agressão russa”.

Moscou manifestou reiteradamente preocupação com o aumento das forças da OTAN na Europa. O Kremlin afirma que a Rússia não representa ameaça, mas não deixará de responder a ações que considerem perigosas para seus interesses.

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia destacou que o país permanece aberto ao diálogo com a OTAN, desde que em condições de igualdade, e pede que o Ocidente abandone a política de militarização do continente.

Por Sputnik Brasil