Proposta de Merz para associação da Ucrânia à UE pode aumentar risco de conflito com Rússia
Plano do chanceler alemão prevê garantias militares à Ucrânia e pode ampliar responsabilidade europeia em caso de escalada
A proposta do chanceler alemão, Friedrich Merz, de conceder à Ucrânia o status de membro associado da União Europeia (UE) pode colocar o continente em rota de colisão direta com a Rússia, segundo reportagem de um jornal alemão.
De acordo com a publicação, o plano de Merz prevê oferecer garantias militares de segurança à Ucrânia, o que poderia transformar o apoio europeu em uma responsabilidade formal em caso de agravamento do conflito.
"Isso levanta a questão de [...] se a Europa deverá prestar ajuda à Ucrânia no futuro, caso o conflito se agrave ainda mais. Afinal, Merz pretende aplicar à Ucrânia a cláusula de ajuda mútua europeia prevista no Artigo 42.7 do Tratado da UE", destaca o jornal.
O texto explica que, em um cenário de emergência, a proposta pode converter o suporte europeu em uma obrigação de envolvimento direto na guerra contra a Rússia.
A reportagem ressalta ainda que a iniciativa do chanceler alemão vai além do fornecimento de armas a Kiev. Embora o Artigo 42.7 não implique automaticamente em declaração de guerra, a pressão política sobre os Estados-membros da UE aumentaria consideravelmente em caso de escalada militar.
Caso um novo patamar de confronto seja atingido, a discussão deixaria de ser apenas sobre envio de armamentos, passando a envolver um compromisso europeu de assistência direta, conclui o jornal.
Na última quinta-feira (21), Merz sugeriu estender à Ucrânia a obrigação de defesa mútua prevista no Tratado da UE, concedendo ao país o status de membro associado do bloco. Antes disso, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, já havia solicitado a admissão plena da Ucrânia na UE até 2027.
No entanto, líderes ocidentais têm ressaltado reiteradamente que a legislação ucraniana ainda não está alinhada aos padrões europeus. Uma das condições essenciais para a análise da adesão é a realização de reformas profundas. Em 15 de fevereiro, a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, admitiu que os países-membros da UE não estão prontos para anunciar uma data de adesão da Ucrânia ao bloco.
Por Sputnik Brasil