ECONOMIA

Durigan defende cautela ao tratar desafios do agronegócio brasileiro

Ministro da Fazenda reconhece aumento da inadimplência no setor, mas alerta para riscos de medidas generalizadas

Publicado em 21/05/2026 às 20:03
Ministro da Fazenda, Dario Durigan,

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reconheceu que o agronegócio brasileiro enfrenta desafios, mas defendeu que não se deve transformar a principal potência econômica do País em "terra arrasada".

"A inadimplência do agronegócio, historicamente, era em torno de 2%. Está batendo 6%, então aumentou bastante. É um problema", afirmou Durigan em entrevista à CNN Brasil, na noite desta quinta-feira. "Agora veja, 94% das operações do agro estão em dia. O que vimos foram safras crescendo ao longo do tempo. Por isso, é importante não tratarmos o agronegócio, nossa principal potência econômica, como terra arrasada, porque não é o caso."

Durigan relatou conversas recentes com senadores e destacou que o texto em discussão no Congresso não deve contemplar "toda e qualquer dívida agrícola, inclusive dívida adimplente, dívida de quem não precisa de renegociação".

Segundo o ministro, uma medida tão ampla poderia onerar o sistema financeiro e prejudicar o próprio agricultor. "Podemos criar um problema de restrição de crédito. Se um grande projeto determinar que toda e qualquer taxa de juros para o agronegócio deve ser limitada a 10%, 12%, como chegou a ser discutido, isso seria um tiro no pé do setor, pois geraria restrição de crédito", explicou.

Durigan defendeu que a restrição das dívidas contempladas é fundamental, pois o foco deve ser nos inadimplentes. Ele afirmou estar disposto a negociar uma solução pactuada com o Congresso Nacional, envolvendo extensão de prazos, alteração do manual de crédito agrícola e mudanças em carências. "Só não podemos ampliar demais o escopo do projeto, sob o risco de prejudicar o próprio agro", ressaltou.

O ministro também sugeriu a reconstrução do projeto em discussão no Senado. "Vamos construir uma saída, junto com o agro, para dar um passo melhor. Não apenas uma medida mais ampla e simbólica, mas que realmente gere os efeitos esperados pelo setor", ponderou.

Na sequência, Durigan abordou a discussão sobre o fundo garantidor, ressaltando que há casos, especialmente entre arrendatários, em que não há garantias suficientes para obtenção de crédito. "Não pode ser uma iniciativa do governo, criando um novo fundo público. Isso não é moderno nem satisfatório para a demanda. Podemos usar como exemplo o fundo garantidor de crédito, e estou disposto a discutir esse modelo", afirmou.

No entanto, Durigan destacou que a criação desse fundo não seria imediata, devido à situação fiscal do País. "A ideia é estruturar um fundo garantidor que auxilie o agro em situações de inadimplência e acesso ao crédito, mas não para agora", concluiu.