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Justiça francesa condena Airbus e Air France por acidente de 2009

Empresas foram consideradas responsáveis pelo desastre do voo AF447, que matou 228 pessoas, incluindo 58 brasileiros.

Publicado em 21/05/2026 às 14:18
Justiça francesa condena Air France e Airbus por acidente do voo AF447 que matou 228 pessoas em 2009.

A Justiça francesa reconheceu, nesta quinta-feira (21), a responsabilidade total da Air France e da Airbus pelo acidente com o voo AF447, ocorrido em 1º de junho de 2009, que resultou na morte de 228 pessoas, entre elas 58 brasileiros.

Em abril de 2023, as duas companhias haviam sido absolvidas em primeira instância das acusações criminais, mas a responsabilidade civil pela queda do Airbus A330-203, durante o trajeto entre Rio de Janeiro e Paris, foi reconhecida.

Parentes das vítimas recorreram da sentença de 2023 e, em 2025, o Ministério Público francês passou a atuar pela condenação das empresas por imprudência e negligência.

Nesta quinta-feira, ao acatar a recomendação do Ministério Público e reverter a decisão anterior, a Corte de Apelações de Paris condenou Air France e Airbus a pagar multa por homicídio culposo (quando não há intenção de matar) por negligência. O valor máximo da multa é de 225 mil euros, cerca de R$ 1,3 milhão, para cada empresa.

O vice-presidente da Associação de Familiares das Vítimas do Voo Air France 447, Maarten Van Sluys, afirmou à Agência Brasil que a decisão representa um "alívio" para parentes e amigos dos 216 passageiros e 12 tripulantes de 33 nacionalidades que morreram no acidente. Ele perdeu a irmã, Adriana Van Sluys, que era assessora de imprensa.

“O resultado é o que esperávamos: uma condenação por homicídio culposo. Entendemos que isto é uma vitória moral incomensurável, pois muito mais do que valores monetários, que acabam sendo irrisórios em se tratando de empresas deste porte, agora temos um certificado da culpa da Air France e da Airbus”, declarou Sluys.

Sluys, que acompanhou remotamente o julgamento, relatou que, assim que a decisão foi anunciada, as empresas manifestaram a intenção de recorrer da sentença.

“É uma decisão reparatória dos danos morais causados a tantas famílias e estamos muito aliviados. Temos a sensação de que a justiça foi feita e que posso dizer à minha irmã que nossa luta para fazer justiça às vítimas não foi em vão”, completou Sluys.

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