Renan Santos afirma atrair eleitores de Bolsonaro e Lula e rejeita rótulo de 'terceira via'
Pré-candidato do Missão defende industrialização, reforma do Judiciário e endurecimento penal, além de criticar anistia ampla para envolvidos nos atos de 8 de janeiro.
Pré-candidato à Presidência da República pelo Missão, Renan Santos, apresenta propostas para industrialização, reforma institucional e endurecimento penal.
Nesta quinta-feira (21), durante a Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios, Renan Santos defendeu que o Brasil aproveite suas reservas de terras raras para criar uma cadeia tecnológica nacional, inspirada no modelo chinês. O pré-candidato também propôs mudanças profundas no Supremo Tribunal Federal (STF) e criticou a anistia ampla para envolvidos nos atos de 8 de janeiro.
Na área econômica, Renan Santos destacou a necessidade de o Brasil deixar de ser apenas exportador de matéria-prima e passar a processar minerais estratégicos no país. Ele sugeriu um marco regulatório que limite a participação estrangeira a 20% e garanta ao menos 50% de capital brasileiro nas cadeias produtivas das terras raras.
O pré-candidato defendeu ainda a formação de um corpo técnico nacional e a internalização das etapas finais da cadeia industrial. "A China conseguiu praticamente verticalizar a cadeia de terras raras, e temos que começar a subir essas cadeias", afirmou.
Sobre os condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, Renan Santos defendeu a revisão das penas, mas se posicionou contra a anistia irrestrita. "Aquelas pessoas cometeram crimes", declarou. Segundo ele, o ministro do STF Alexandre de Moraes "trouxe soluções exóticas e a dosimetria é uma solução política". Renan ainda afirmou que "não é prioridade a soltura de Jair Bolsonaro em um governo meu" e reforçou: "Anistia pura e simples é abrir possibilidade para as pessoas fazerem o que quiserem".
O dirigente do Missão também apresentou propostas para restringir o funcionamento do STF. "Temos que entregar ao STF apenas suas atribuições constitucionais", disse, defendendo que a Corte atue apenas em temas constitucionais abstratos e não seja a última instância de figuras públicas. Entre as medidas sugeridas, estão a redução do número de agentes com acesso ao STF, o fim das decisões monocráticas e dos escritórios de advocacia ligados a ministros, além da criação de uma corte específica para casos de foro privilegiado, composta por desembargadores sorteados e sem exposição midiática.
Renan Santos criticou ainda a falta de fiscalização do STF pelo Senado e defendeu maior concentração de poder no Executivo. "Precisamos empoderar o Poder Executivo", afirmou.
Ao abordar o debate sobre a jornada de trabalho 6x1, Renan considerou que "a reforma trabalhista silenciosa já aconteceu" e que a produtividade no Brasil ainda impede comparações com países desenvolvidos. "A produtividade da economia sueca é tão diferente da nossa que não podemos tratar as coisas nos mesmos termos", pontuou, classificando a proposta como "eleitoreira". Como alternativa, sugeriu investimentos em infraestrutura urbana e zonas econômicas especiais para reduzir o tempo de deslocamento dos trabalhadores.
Comentando o crescimento de sua candidatura nas pesquisas, Renan Santos afirmou buscar um espaço distinto da direita tradicional. "Eu sou diferente, não tenho nada a ver com a família Bolsonaro, e estou à direita, portanto eu converto eleitores do Flávio Bolsonaro e também do Lula", declarou. Segundo ele, há desgaste do governo Lula no Nordeste, especialmente entre os jovens. "Jovens em estados do Nordeste também estão cansados do modelo lulista", afirmou.
Renan Santos rejeitou o rótulo de terceira via. "Minha proposta não é terceira via, é uma outra agenda", concluiu.
Por Sputnik Brasil