Estudantes das universidades estaduais de SP marcham até Palácio dos Bandeirantes; PM bloqueia
Ato reuniu alunos, funcionários e movimentos sociais em protesto por mais orçamento e permanência estudantil; marcha foi barrada pela Polícia Militar
As universidades estaduais paulistas realizaram uma marcha nesta quarta-feira, 20, saindo da Avenida Faria Lima em direção à Avenida Morumbi, para pressionar o governo estadual a respeito do orçamento das instituições. Paralisações e greves ocorrem simultaneamente em diversos campus há cerca de um mês. Na USP, uma greve começou em 14 de abril, com ocupação da Reitoria, de onde os alunos foram removidos pela Polícia Militar na madrugada do dia 10.
Além dos estudantes, funcionários, sindicatos e movimentos sociais participaram do protesto, que teve início às 14h e se estendeu até por volta das 22h. O objetivo era chegar ao Palácio dos Bandeirantes, mas a Polícia Militar bloqueou todo o perímetro da sede do governo estadual, impedindo o avanço da passagem.
Durante a trajetória, centenas de manifestantes entoaram palavras de ordem contra as reitorias e o governo de São Paulo, liderados por Tarcísio de Freitas (Republicanos).
A manifestação foi contida por três fileiras de policiais militares, incluindo tropas de choque e cavalaria, com viaturas posicionadas ao fundo. Ao final, um boneco inflável representando o governador foi queimado pelos estudantes, a cerca de 350 metros do Palácio dos Bandeirantes.
Por volta das 21h30, um grupo composto por seis estudantes, dois advogados e um parlamentar teve a passagem liberada até o palácio. Eles foram recebidos por representantes da Casa Civil do governo estadual, que ouviram as reivindicações dos estudantes das três universidades: mais investimentos em permanência estudantil, ampliação de moradias e melhorias na alimentação. Segundo o governo, as demandas serão encaminhadas para avaliação dos responsáveis.
Diálogo com os estudantes
Paralelamente ao ato, um grupo de alunos se reuniu nesta quarta-feira, 20, com representantes das universidades públicas paulistas. Conforme a Unesp, que preside o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp), os estudantes foram indicados pelo "Fórum das Seis" — coletivo sindical que reúne funcionários técnicos, professores e estudantes da USP, Unicamp e Unesp — para discutir as pautas do movimento estudantil.
A reitoria informou, em nota, que existe uma pauta geral sendo tratada no âmbito do conselho e que "uma nova reunião do grupo de trabalho com os representantes discentes deve ocorrer em junho. Não há nova data prevista para reunião do Cruesp", diz o comunicado.
A reitoria da USP criou uma comissão de moderação e diálogo institucional para mediar o conflito. Os estudantes esperam encaminhar a mediação para retomar as negociações com a reitoria, suspensas no início do mês. No entanto, esta próxima etapa ainda não foi confirmada pela universidade.
Já a reitoria da Unicamp afirmou que as negociações entre a Cruesp e o Fórum das Seis continuam: "A Universidade reitera o seu compromisso com a transparência e reafirma que preza, fundamentalmente, pelo diálogo constante e pelo respeito absoluto aos ritos democráticos que regem a instituição".