TRAGÉDIA NO SERTÃO

Policiais civis mortos dentro de viatura em Alagoas serão sepultados nesta quinta-feira sob forte comoção

Agentes foram assassinados a tiros na madrugada de quarta-feira em Delmiro Gouveia; colega de farda foi preso em flagrante e teve prisão preventiva decretada

Por Redação Publicado em 21/05/2026 às 08:28
Yago e Denivaldo Reprodução

Os corpos dos policiais civis Yago Gomes Pereira, de 33 anos, e Denivaldo Jardel Lira Moraes, de 47 anos, liberados pelo Instituto Médico Legal (IML), serão sepultados nesta quinta-feira (21) em suas respectivas cidades natais. O clima é de profunda consternação entre familiares e forças de segurança pública após o brutal assassinato dos agentes, ocorrido na madrugada da última quarta-feira (20), no município de Delmiro Gouveia, Sertão de Alagoas. As vítimas foram executadas a tiros dentro de uma viatura oficial da instituição.

O último adeus a Yago Gomes está marcado para as 11h, no Cemitério Colina da Saudade, em Aracaju (SE). Já o sepultamento de Denivaldo Jardel ocorrerá no período da tarde, às 16h, no município de Sertânia, localizado no interior de Pernambuco.

Execução sem chance de defesa

O principal suspeito do duplo homicídio é o também policial civil Gildate Góes Moraes Sobrinho, de 61 anos. Ele foi detido em flagrante logo após o crime. Na sequência, durante audiência de custódia realizada pelo Poder Judiciário, a prisão foi convertida em preventiva, garantindo a permanência do acusado em regime fechado enquanto o processo tramita.

A dinâmica das execuções, detalhada pelos laudos preliminares da Polícia Civil de Alagoas, aponta para um cenário de extrema vulnerabilidade das vítimas. Conforme a investigação, Yago e Denivaldo ocupavam os bancos dianteiros do automóvel oficial, enquanto Gildate estava posicionado no banco traseiro. Os exames periciais constataram que Yago foi atingido por um disparo na lateral direita da cabeça, e Denivaldo foi baleado na nuca. Diante dessas evidências, a principal linha investigativa trabalha com a tipificação de duplo homicídio qualificado, caracterizado pela impossibilidade de defesa das vítimas.

Planos interrompidos e famílias desoladas

Os dois agentes cruzaram caminhos na segurança pública, mas deixam histórias interrompidas de forma trágica. Yago Gomes Pereira integrava os quadros da Polícia Civil de Alagoas havia cerca de três anos, era casado e pai de uma menina pequena. Denivaldo Jardel Lira Moraes era pai de três filhos e vivia um momento de celebração familiar, comemorando o recente nascimento de sua filha caçula e a aprovação do filho mais velho no vestibular de Medicina.

Silêncio e investigação

Ao ser interrogado pelas autoridades policiais competentes, o suspeito Gildate Góes alegou amnésia temporal, afirmando não se recordar de nenhuma circunstância ou do momento exato em que os disparos foram efetuados. O inquérito prossegue sob sigilo para esclarecer o que motivou os assassinatos e desvendar a dinâmica psicológica e os fatos que antecederam a tragédia dentro do veículo.

Em pronunciamento oficial, o Sindicato dos Policiais Civis de Alagoas (Sindpol) manifestou profundo pesar diante do episódio catastrófico. A entidade emitiu uma nota de solidariedade direcionada aos familiares, amigos e companheiros de corporação, lamentando a perda precoce de profissionais dedicados e cobrando celeridade na apuração rigorosa do caso.