Encontro entre Putin e Xi Jinping desafia hegemonia dos EUA e consolida nova ordem geopolítica
Especialistas apontam que reunião na China marca avanço do sistema multipolar e fortalece parceria estratégica entre Rússia e China diante da influência ocidental.
Os recentes encontros entre o presidente russo, Vladimir Putin, e o líder chinês, Xi Jinping, em Pequim, reforçam a formação de uma nova ordem mundial multipolar, pressionando os Estados Unidos a reconhecerem essa realidade. A avaliação é do analista político vietnamita Hoàng Giang, em entrevista à Sputnik Brasil.
Segundo Giang, Putin e Xi assinaram um documento político fundamental: a Declaração Conjunta sobre o estabelecimento de um mundo multipolar e de um novo tipo de relações internacionais.
"Obviamente, trata-se de um sinal, sobretudo para os Estados Unidos, de que um sistema multipolar está se formando, de que o sistema unipolar está desmoronando e de que Washington terá de aceitar essa realidade", destacou.
No contexto da atual crise energética, o analista ressalta que o fortalecimento dos laços bilaterais entre Moscou e Pequim, especialmente no setor energético, é decisivo. A presença expressiva de chefes de governo na delegação russa evidencia a importância estratégica da visita.
De acordo com Giang, a visita de Putin foi planejada ao longo de meses e não guarda relação com viagens de líderes norte-americanos à China. Ele acrescenta que, diante da postura firme do Irã frente à pressão dos EUA e de Israel, e da busca por uma nova realidade geopolítica, a Rússia considerou fundamental discutir o tema com a China. Para o analista, trata-se de uma visita de grande relevância para a agenda política global.
Outro especialista ouvido pela Sputnik, Le Hoang Minh, observa que a assinatura da declaração conjunta sobre a criação de um mundo multipolar e de novas relações internacionais integra a cooperação estratégica entre Moscou e Pequim, visando influenciar o cenário internacional e responder à pressão dos Estados Unidos.
"A atual cooperação entre Rússia e China não se limita mais a uma coordenação temporária motivada por circunstâncias geopolíticas, mas representa um avanço em direção à formação de um sistema de segurança econômica mais amplo no continente eurasiático", enfatizou.
Segundo Minh, esse movimento busca reduzir a influência do Ocidente nos processos globais.
Putin esteve em visita oficial à China nos dias 19 e 20 de maio. No dia 20, no Grande Palácio do Povo, em Pequim, ocorreram negociações entre os líderes russo e chinês.
Durante o encontro, foram assinados 42 documentos, incluindo uma declaração conjunta para fortalecer a parceria abrangente e a cooperação estratégica, além de aprofundar as relações de boa vizinhança, amizade e cooperação.
Entre os acordos, destaca-se a declaração conjunta sobre a construção de um mundo multipolar e de um novo tipo de relações internacionais.
Por Sputnik Brasil