JUSTIÇA

MP-SP pede prisão preventiva do rapper Oruam, réu por disparo de arma de fogo

Rapper está foragido desde fevereiro e é acusado de disparar arma em festa; processo envolve suspeitas de lavagem de dinheiro e ligação com o Comando Vermelho.

Publicado em 20/05/2026 às 18:35
Oruam Reprodução

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) solicitou à Justiça a prisão preventiva, por tempo indeterminado, do rapper Mauro Davi dos Santos Nepomucemo, conhecido como Oruam, atualmente foragido desde fevereiro. O pedido, apresentado em 5 de maio e divulgado nesta quarta-feira (20), foi encaminhado pela promotoria. Até o momento, a defesa do artista não se manifestou.

Neste processo, Oruam é acusado de ter disparado uma espingarda durante uma festa em Igaratá, na região de São José dos Campos, em 16 de dezembro de 2014. Segundo a denúncia, o disparo ocorreu diante de várias pessoas, tendo sido filmado e divulgado nas redes sociais.

No pedido de prisão, assinado pelo promotor Alan Carlos Reis Silva, Oruam é citado como "pessoa de interesse" em investigações por crimes de lavagem de dinheiro e suposto envolvimento com o Comando Vermelho, além de tentativa de homicídio contra policiais civis do Rio de Janeiro.

De acordo com o promotor, a condição de foragido do rapper compromete o cumprimento de eventual condenação. "A permanência do réu em paradeiro desconhecido evidencia risco concreto e atual de frustração da aplicação da lei", afirmou o MP-SP.

Além do processo em São Paulo, Oruam responde a outras ações judiciais no Rio de Janeiro, incluindo acusação de tentativa de homicídio contra policiais em frente à sua residência, no bairro Joá, zona oeste carioca. Em outro caso, ele, o pai Marcinho VP, a mãe e mais nove pessoas foram denunciados por suposta participação em esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Comando Vermelho.

Oruam foi preso em julho do ano passado ao se entregar à polícia do Rio, acusado de tentar impedir uma operação policial em sua casa. Em setembro, o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Joel Ilan Paciornik, revogou a prisão preventiva, por considerar insuficiente a fundamentação, e determinou medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica.

No entanto, o magistrado entendeu que Oruam descumpriu "reiteradamente" as medidas impostas e revogou o habeas corpus. No dia seguinte à revogação da prisão, em 3 de fevereiro, a juíza Tula Correa de Mello, da 3ª Vara Criminal do Rio, expediu novo mandado de prisão contra o cantor.

Conforme a decisão, ele teria desligado a tornozeleira eletrônica em 1º de fevereiro. Em quatro meses, o rapper violou o equipamento 66 vezes, sendo 21 consideradas graves — a maioria por falta de bateria. O passaporte de Oruam foi apreendido e ele está proibido de deixar o país.