ECONOMIA

Preços de medicamentos para hospitais subiram 0,78% em abril, mostra IPM-H

Publicado em 20/05/2026 às 17:37
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

Em abril, mês em que entraram em vigor os reajustes anuais dos medicamentos autorizados pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), os preços dos medicamentos negociados entre fornecedores e hospitais brasileiros registraram alta média de 0,78%. Trata-se de uma atualização de 1,26 ponto percentual sobre a queda de 0,48% registrada em março.

É o que mostra o Índice de Preços de Medicamentos para Hospitais (IPM-H), desenvolvido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) com base em dados transacionais da plataforma Bionexo Tasy.

Apesar do avanço verificado em abril, o aumento no ambiente hospitalar ficou abaixo da alta observada no varejo farmacêutico no mesmo período. Segundo dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo IBGE, os produtos farmacêuticos vendidos em farmácias e drogarias avançaram 1,77% em abril.

De acordo com a Fipe e a Bionexo, a alta mais modesta dos preços no ambiente hospitalar reflete dinâmicas próprias de negociação entre hospitais e fornecedores. É importante considerar que o IPM-H e o IPCA acompanham mercados distintos. Enquanto o IPCA monitora os preços pagos pelos consumidores no varejo farmacêutico, o IPM-H acompanha transações de medicamentos entre fornecedores e hospitais.

Os dois indicadores analisam universos diferentes de produtos e operam sob dinâmicas próprias de negociação, contratos, estoques e repasses de preços, o que pode resultar em comportamentos diferentes diante dos reajustes autorizados pela CMED.

Para o diretor-executivo da Bionexo Tasy, Herbert Cepêra, o resultado reforça o amadurecimento das relações comerciais no ambiente hospitalar. "Os reajustes autorizados pela CMED não se traduzem automaticamente em aumentos lineares para o mercado hospitalar. O comportamento apresentado mostra que hospitais e suprimentos seguem operando em uma dinâmica própria, marcada por negociações, contratos, gestão de estoques e maior eficiência operacional", diz.

Mesmo no mês de entrada em vigor dos reajustes regulatórios, afirma Cepêra, o avanço registrado no mercado hospitalar ficou abaixo do atendimento no varejo farmacêutico.

No acumulado de 12 meses, a diferença entre os dois mercados se torna ainda mais evidente. Enquanto os produtos farmacêuticos acompanhados pelo IPCA acumulam alta de 5,18%, os preços de medicamentos negociados entre fornecedores e hospitais registraram retração de 5,96% no mesmo período.

Além do ambiente de negociação hospitalar, o cenário cambial também contribuiu para conter a pressão sobre os preços no período. Dados do Banco Central mostram que a moeda brasileira acumulada avaliação de 12,98% em 12 meses até abril, movimento que tende a aliviar custos relacionados a medicamentos importados, insumos e princípios ativos importados, cotados em dólar.

Para Bruno Oliva, economista e pesquisador da Fipe, o resultado reforça que os reajustes regulatórios não se traduzam automaticamente em repasses integrais ao mercado hospitalar. “A leitura de abril mostra que os limites autorizados pela CMED não se traduzem, necessariamente, em repasses automáticos ou integrais nas transações entre fornecedores e hospitais”, diz.

A diferença em relação ao varejo farmacêutico, segundo o economista, também evidencia que os segmentos hospitalares operam sob uma dinâmica própria, influenciada por negociações comerciais, contratos, estoques e cenário cambial.

Entre os grupos terapêuticos que registraram as maiores altas em abril estão preparados hormonais, com aumento de 1,79%; sistema nervoso, 1,40%; aparelhos respiratórios, 1,23% e imunoterápicos, vacinas e antialérgicos, com alta de 1,09%. Já as maiores retrações ocorreram em aparelho digestivo e metabolismo, 1,33%; sistema musculoesquelético, 1,12% e sangue e órgãos hematopoiéticos, com queda de 0,33%.