Galípolo compara casos Bamerindus e Econômico e afirma que Master é menos complexo
Presidente do Banco Central destaca que intervenções dos anos 1990 envolveram risco sistêmico, diferente do caso atual do Banco Master.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, relembrou nesta terça-feira (19) as intervenções realizadas pela autoridade monetária no Bamerindus e no Banco Econômico, durante a década de 1990. Segundo ele, esses episódios foram muito mais complexos do que o caso envolvendo o Banco Master.
Durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Galípolo enfatizou que as situações anteriores representavam risco sistêmico para o sistema financeiro nacional, o que não se aplica ao Master. "No caso atual, a questão é mais sobre o que foi feito com o dinheiro e quem se envolveu com isso", afirmou.
"O caso Bamerindus era mais complexo. O caso Econômico era mais complexo. O caso Nacional era mais complexo. O caso em tela, ele tem uma complexidade que se refere àquilo que eu tentei dizer de maneira educada, com o que foi feito com dinheiro e quem se envolveu com isto", reforçou Galípolo.
Ele lembrou ainda que, à época das intervenções nos bancos, os dirigentes do Banco Central foram acusados de promover uma segregação entre "banco bom e banco ruim" e de terem vendido "bancos bons". "Eu não estou sendo acusado disso porque eu não consegui encontrar um banco bom. Não consegui fazer essa segregação, mas se tivesse, estava na obrigação do meu mandato, ainda que eu sofra a pressão política", afirmou, referindo-se ao caso do conglomerado Master.
Proposta de saída organizada do mercado
Galípolo revelou que, em setembro do ano passado, após o Banco Central negar a compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), o banqueiro Daniel Vorcaro propôs uma saída organizada da instituição do mercado. "Ou seja, ele reconhece que o banco não é viável mais, mas que ele mesmo faria uma 'autoliquidação' do banco, passando para esses investidores árabes – que jamais eu tive conhecimento deles", declarou durante a audiência na CAE.
O presidente do BC também destacou que é comum bancos com dificuldades manterem reuniões frequentes com a autoridade monetária, ao ser questionado sobre encontros entre Vorcaro e membros da diretoria da autarquia.
Galípolo ressaltou ainda que, ao identificar suspeitas sobre a atuação de servidores no caso, o Banco Central instaurou imediatamente auditoria e sindicância para investigar possíveis irregularidades, o que resultou no afastamento do ex-diretor Paulo Souza e do ex-chefe de departamento Belline Santana.
"Essas duas pessoas que foram identificadas por essa auditoria e sindicância estão afastadas e estão com seus casos na CGU, que é o órgão competente para julgar o processo administrativo, e estão informadas à Polícia Federal para as devidas investigações", afirmou Galípolo.
Ele explicou ainda que o Master era um banco do segmento 3, comparando-o à "terceira divisão do futebol", o que significa que não representava risco sistêmico ao sistema financeiro. "A questão do Master é mais sobre o que se fazia com o dinheiro, não sobre risco sistêmico", concluiu.