SAÚDE PÚBLICA

Ebola: especialistas avaliam risco de disseminação da doença e cenário no Brasil

OMS declara emergência internacional após surto de ebola na África; autoridades brasileiras monitoram situação, mas risco no país é baixo.

Publicado em 18/05/2026 às 20:17
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

No domingo, 17, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou a disseminação do ebola na República Democrática do Congo e em Uganda, na África, como uma emergência de saúde pública de importância internacional.

De acordo com a OMS, o evento foi considerado de alto risco devido ao registro de 246 casos suspeitos até 16 de maio. Pelo menos 80 mortes estão sob investigação, incluindo quatro profissionais de saúde.

Nesta segunda-feira, 18, a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) emitiu comunicado expressando preocupação diante da declaração da OMS.

Segundo a SBI, preocupa a ausência de vacina ou tratamento específico para a cepa Bundibugyo, responsável pelo atual surto.

A entidade também destaca que o vírus circula em regiões afetadas por conflitos e fragilidade nos sistemas de saúde, com alta mobilidade populacional entre países vizinhos, o que pode favorecer a subnotificação de casos e infecções entre profissionais de saúde.

Não há pandemia em curso

A SBI ressalta que a classificação de emergência internacional não indica uma pandemia, mas sim a necessidade de coordenação global, fortalecimento da vigilância epidemiológica e apoio internacional imediato para conter a disseminação do ebola.

No comunicado, a entidade enfatiza a importância da vigilância ativa em portos, aeroportos e serviços de saúde, especialmente para identificar precocemente viajantes vindos de áreas afetadas que apresentem sintomas compatíveis com a doença.

Também é destacada a necessidade de capacitação contínua das equipes de saúde para manejo clínico, uso adequado de equipamentos de proteção individual e protocolos de prevenção e controle de infecções.

Não há casos registrados no Brasil

O ebola é causado por um vírus da família Filoviridae e é considerado uma doença grave, com alta taxa de mortalidade. O surto atual é provocado pela variante Bundibugyo, rara e sem vacinas ou terapias específicas disponíveis até o momento.

A infectologista Sumire Sakabe, do Hospital Nove de Julho, da Rede Américas, explica que o vírus preocupa autoridades sanitárias devido à elevada transmissibilidade e letalidade.

“A transmissão ocorre de pessoa para pessoa, principalmente pelo contato com sangue e secreções. Em um cenário hipotético, se alguém infectado viajar durante o período de incubação ou enquanto ainda transmite o vírus, existe risco de disseminação para outros países”, afirma a médica.

Ainda assim, a possibilidade de circulação do ebola no Brasil é considerada teórica e relacionada a viagens internacionais, já que não há registros da doença no país.

“Em surtos anteriores, profissionais de saúde infectados foram repatriados e tratados em isolamento, sem transmitir a doença para outras pessoas”, acrescenta Sumire.

Segundo a SBI, não há casos registrados no Brasil neste momento. O risco para a população brasileira permanece baixo, mas o cenário exige monitoramento constante por parte das autoridades sanitárias nacionais e internacionais.

Sintomas e formas de prevenção

O ebola é transmitido principalmente pelo contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas ou com superfícies contaminadas.

Os sintomas mais comuns incluem febre alta, fraqueza intensa, dores musculares, dor de cabeça, vômitos e diarreia. Em casos graves, podem ocorrer sangramentos. A taxa de mortalidade varia conforme a cepa do vírus e a resposta dos sistemas de saúde.

O tratamento é baseado em suporte clínico, com hidratação, controle dos sintomas e isolamento do paciente para evitar a transmissão.

Entre as principais medidas de prevenção estão o uso de equipamentos de proteção individual, higiene frequente das mãos e evitar contato direto com sangue e secreções de pessoas infectadas. O isolamento de casos suspeitos é fundamental para conter a disseminação do vírus.