Escola técnica de R$ 260 milhões quer mudar realidade de bairro no RJ: 'Poder de transformação'
Centro de ensino construído pela Ternium em Santa Cruz aposta em formação técnica e bolsas integrais para jovens em vulnerabilidade social.
O bairro de Santa Cruz, na zona oeste do Rio de Janeiro, abriga o maior distrito industrial do Estado, mas enfrenta graves desafios sociais e educacionais. Com uma população jovem significativa, a região registra altos índices de adolescentes "nem-nem" — aqueles que não estudam nem trabalham — e muitos vivem em situação de extrema vulnerabilidade.
Para reverter esse cenário, foi inaugurada recentemente a Escola Técnica Roberto Rocca, construída pela siderúrgica Ternium com um investimento de R$ 260 milhões. O novo centro de ensino de ponta busca oferecer oportunidades reais de transformação para a comunidade.
De acordo com Fernanda Candeias, diretora do Instituto Ternium, a imponência das instalações inicialmente gerou desconfiança nos moradores. "A comunidade custou a acreditar que seria uma escola. Pensavam que seria um shopping", recorda.
A iniciativa foi tema do painel Formação Técnica: Uma Engrenagem Essencial da Inovação, realizado nesta quinta-feira (15) durante o São Paulo Innovation Week (SPIW), festival global de tecnologia e inovação promovido pelo Estadão em parceria com a Base Eventos.
A Escola Técnica Roberto Rocca é a terceira unidade construída pela Ternium — as outras estão na Argentina e no México — e, segundo Fernanda, já demonstra "poder de transformação real" na vida dos jovens de Santa Cruz.
O projeto nasceu a partir de um estudo feito em parceria com a FGV Social, que identificou as necessidades da comunidade e das indústrias locais. A escola oferece cursos técnicos em Mecatrônica e Eletromecânica, com meta de atender 576 estudantes até 2027. Neste ano, são 384 alunos matriculados, todos com bolsas que podem chegar a 100%. Para quem paga uma parte, o percentual é definido em diálogo com as famílias.
O diretor da escola, Júlio Egreja, explica que o processo seletivo dura seis meses e inclui curso preparatório, entrevistas e critérios socioeconômicos e geográficos — os estudantes precisam residir em Santa Cruz ou bairros próximos — além de avaliação de desempenho. "Não buscamos o maior rendimento absoluto, mas sim o maior potencial", enfatiza Egreja.
Formação robusta
Entre os desafios para implantar a escola técnica no Brasil, Egreja destaca a necessidade de atender às exigências do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), além da formação técnica. Os alunos cumprem uma carga horária de 2.400 horas de ensino regular e 2.100 horas de formação técnica.
O objetivo é preparar os estudantes para disputar vagas nas melhores universidades do Brasil e do exterior, além de capacitá-los para atender às demandas da indústria local, caso desejem.
"Queremos promover a mobilidade social desses jovens. Meu sonho é que possam escolher o que vão ser", afirma Fernanda Candeias. Para Júlio Egreja, "ver algum deles como presidente da Ternium no futuro será motivo de grande orgulho".
Sobre o SPIW
O São Paulo Innovation Week, maior festival global de tecnologia e inovação, é realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na Faap, entre os dias 13 e 15 de março. O evento reúne mais de 2 mil palestrantes, nacionais e internacionais, abordando temas como ciência, saúde, educação, agronegócio, finanças, mobilidade, geopolítica, esportes, sustentabilidade, arte, música e filosofia.