Viveo registra prejuízo líquido de R$ 57 milhões no 1º trimestre de 2026
Apesar do resultado negativo, empresa destaca melhora operacional, geração de caixa e redução da alavancagem
A Viveo encerrou o primeiro trimestre de 2026 com prejuízo líquido contábil de R$ 57 milhões, ligeiramente menor que o prejuízo de R$ 59 milhões registrado no mesmo período do ano anterior. O resultado financeiro manteve-se pressionado pelo patamar elevado da Selic em comparação a 2025, mas o início do ciclo de queda dos juros já trouxe algum alívio, segundo executivos da companhia em entrevista à Broadcast.
No período encerrado em março, a receita líquida atingiu R$ 2,8 bilhões, alta de 1,7% na comparação anual. Apesar do crescimento modesto, a Viveo ressaltou uma melhora significativa na rentabilidade, com margem bruta no maior patamar desde meados de 2023.
O Ebitda ajustado (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) somou R$ 208,1 milhões, avanço de 30,4% em relação ao primeiro trimestre de 2025. A margem Ebitda subiu para 7,4%.
De acordo com o diretor Financeiro da Viveo, Frederico Oldani, a melhora operacional é resultado principalmente do desempenho do segmento de hospitais e clínicas, que voltou a crescer mesmo diante de uma base forte de comparação. Por outro lado, a operação de vacinas e laboratórios foi impactada pela migração de parte da oferta de imunizantes do canal privado para o Sistema Único de Saúde (SUS), já que a empresa atua exclusivamente no mercado privado de vacinação.
A dívida líquida fechou o trimestre em R$ 2,888 bilhões, praticamente estável em relação aos R$ 2,883 bilhões de um ano antes. A alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado, recuou para 3,88 vezes, ante 4,49 vezes no primeiro trimestre de 2025, ficando abaixo do covenant de 4 vezes previsto para o período.
Flávia Carvalho, diretora de Relações com Investidores, afirmou que o indicador mantém uma tendência consistente de queda. "Fizemos a limpeza do balanço e desde então a alavancagem vem caindo", explicou.
Oldani ressaltou que a Viveo segue em trajetória consistente de desalavancagem após os ajustes realizados em 2024, quando renegociou covenants com debenturistas e implementou medidas operacionais e financeiras. Este é o quinto trimestre consecutivo de melhora operacional dentro do plano de turnaround, e a expectativa é concluir a maior parte dos ajustes ao longo de 2026.
Rolagem de dívidas
A companhia convocou assembleia geral de debenturistas para discutir a rolagem de dívidas com vencimento no segundo semestre deste ano e ao longo de 2027, incluindo extensão de prazos e ajustes em condições financeiras. Segundo Oldani, os credores têm demonstrado apoio ao processo, e a expectativa é fechar a negociação em termos positivos para a empresa.
A Viveo também destacou que gerou caixa livre no primeiro trimestre, feito inédito em sua história, mesmo em um período tradicionalmente mais pressionado pela sazonalidade. Conforme a empresa, janeiro e fevereiro costumam registrar menor ritmo de vendas, enquanto há aumento da formação de estoques antes do reajuste anual de medicamentos autorizado pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), vigente a partir de abril.
A companhia informou que vem reduzindo prazos de recebimento de clientes e aprimorando a gestão de estoques, o que contribuiu para a evolução do ciclo de caixa nos últimos trimestres.
Segundo Oldani, o principal objetivo da Viveo segue sendo a redução orgânica da alavancagem, sem necessidade de vender ativos estratégicos, embora uma eventual alienação a preços atrativos possa acelerar esse processo.