INDÚSTRIA NAVAL

Lula expressa insatisfação com Vale por compra de navios chineses

Presidente critica decisão da mineradora e defende fortalecimento da indústria nacional durante evento na Bahia

Publicado em 14/05/2026 às 18:02
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva Breno Araújo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manifestou nesta quinta-feira, 14, sua insatisfação com a Vale pela decisão de adquirir navios fabricados na China, em vez de optar por embarcações produzidas no Brasil. Lula afirmou que irá discutir o tema diretamente com o presidente da companhia, Gustavo Pimenta.

"Não tem sentido a gente fazer esforço em estaleiro brasileiro e que a Vale esteja gerando emprego na China", declarou Lula. "Produzir navios seria mais caro, mas estaríamos trazendo conhecimento tecnológico e mão de obra qualificada."

As declarações ocorreram durante visita à Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia (Fafen-BA), que retomou suas operações em janeiro de 2026. A reativação da unidade faz parte do Novo PAC, contando com investimentos consolidados de aproximadamente R$ 5,9 bilhões.

O evento contou ainda com a presença do ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), e da presidente da Petrobras, Magda Chambriard. A fábrica, anteriormente hibernada, foi reativada em 2023.

Lula também criticou gestões passadas que, segundo ele, tentaram privatizar a Petrobras, optando por vender ativos como refinarias diante da dificuldade de aprovação da privatização no Congresso. O presidente defendeu que a Petrobras recompre tais ativos, mas apenas por valores considerados justos.

Sobre o setor de fertilizantes, Lula ressaltou que o Brasil não pode continuar importando 90% do insumo necessário à indústria nacional. Ele criticou antigos gestores, afirmando que o País foi conduzido por pessoas com uma formação política "de vira-lata", sem visão estratégica para a soberania nacional.

O presidente também se posicionou contra a privatização da Eletrobras, destacando que, enquanto estatal, o presidente da empresa recebia cerca de R$ 60 mil por mês, valor muito inferior ao dos atuais executivos, que, segundo Lula, recebem ao menos R$ 400 mil.

"Não é verdade que o privado é mais eficiente do que o público. O importante é termos governo competente, e não governo traidor da pátria", afirmou Lula. "Quando eu não sei governar, começo a vender as coisas."