Ibovespa interrompe sequência de quedas e avança 0,72% impulsionado por Nova York
Índice brasileiro acompanha otimismo das bolsas americanas e fecha aos 178,3 mil pontos, apesar de recuos recentes.
Após três sessões consecutivas de baixa, o Ibovespa registrou recuperação parcial nesta quinta-feira, 14, ao avançar 0,72% e encerrar o dia aos 178.365,86 pontos. Esta foi apenas a sexta alta nas últimas 20 sessões, desde as máximas históricas alcançadas em 14 de abril. Considerando o fechamento de hoje, o índice se encontra cerca de 20 mil pontos abaixo daquele recorde. O volume financeiro negociado somou R$ 29,8 bilhões, reflexo do vencimento de opções sobre o índice na véspera. Na semana e no mês, o Ibovespa acumula quedas de 3,12% e 4,78%, respectivamente, mas ainda sobe 10,70% no ano.
O desempenho do índice acompanhou o movimento positivo das bolsas de Nova York, diferentemente da quarta-feira, quando fatores domésticos — como o vazamento de áudio envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, além do anúncio de subsídios a combustíveis — dominaram o noticiário e pressionaram o mercado local. Nesta quinta, ações de primeira linha, preferidas pelos investidores estrangeiros, deram suporte ao Ibovespa, com exceção de Vale ON, principal papel do índice, que recuou 1,70% no fechamento. Banco do Brasil ON ficou estável.
Entre as blue chips, Petrobras registrou alta de 0,82% nas ações ordinárias (ON) e de 0,96% nas preferenciais (PN). No setor financeiro, que tem o maior peso no índice, Itaú PN avançou 1,94%. Entre as maiores altas do dia estiveram Usiminas (+7,97%), C&A (+5,84%) e MRV (+4,89%). No lado negativo, além da Vale, destacaram-se Bradespar (-1,72%), SLC Agrícola (-1,59%) e Yduqs (-1,32%).
"Na quarta-feira, a tendência da Bolsa já era de baixa, mesmo antes dos acontecimentos que explodiram em Brasília", comenta Alison Correia, analista e cofundador da Dom Investimentos, referindo-se ao chamado "Flávio Day 2.0" — mais discreto que o episódio original, ocorrido em dezembro, quando foi anunciada a pré-candidatura do senador à Presidência. À época, a candidatura era vista como pouco competitiva, mas pesquisas recentes mostram crescimento em sua viabilidade.
No cenário internacional, "o mercado global viveu uma sessão marcada por equilíbrio entre otimismo geopolítico, realização de lucros e o forte apetite por tecnologia e semicondutores", analisa Marcos Praça, diretor de análises da ZERO Markets Brasil. Segundo ele, "o foco permanece dividido entre a reunião Trump-Xi e o conflito no Oriente Médio. Apesar das tensões envolvendo o Irã e o Estreito de Ormuz continuarem no radar, investidores percebem sinais de redução do risco imediato de interrupção no fluxo global de petróleo".
Outro destaque do dia foram os dados econômicos dos Estados Unidos. "As vendas no varejo vieram fortes, reforçando a percepção de uma economia resiliente, o que mantém a visão mais hawkish do Federal Reserve, especialmente após a confirmação de Kevin Warsh para a presidência da instituição", afirma Praça. Ele ressalta que o mercado segue dividido quanto ao impacto da inflação provocada pela alta do petróleo e à pressão política do presidente Donald Trump por cortes de juros.
No Brasil, o dólar à vista encerrou o dia em baixa de 0,45%, cotado a R$ 4,9863. Em Nova York, os principais índices de ações fecharam em alta: Dow Jones subiu 0,75%, S&P 500 avançou 0,77% e Nasdaq ganhou 0,88%, com ambos os índices — S&P 500 e Nasdaq — renovando suas máximas históricas de fechamento.