Reunião do Banco do BRICS em Moscou coloca países do Sul Global em foco (VÍDEOS)
Nesta quinta-feira (14), a reportagem da Sputnik Brasil esteve na 11ª Reunião do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), também conhecido como Banco do BRICS. O evento reuniu autoridades e especialistas dos países que compõem o grupo para debater avanços tecnológicos que podem auxiliar economias emergentes no crescimento sustentável em nível global.
Com o lema "Financiamento do Desenvolvimento em uma era de revolução tecnológica", o evento teve falas contundentes sobre a importância de se pensar em novas tecnologias para a redução da dependência dos Estados emergentes em relação aos centros tradicionais de poder do Ocidente.
Nesse sentido, o vice-primeiro-ministro da Federação da Rússia Aleksei Overchuk alertou sobre a importância de se ter uma alternativa para a comercialização com moedas locais e exemplificou o caso russo, que, por ter sua própria arquitetura financeira, não sofreu tantos impactos com as sanções ocidentais contra o país.
"Criamos sistemas alternativos [de pagamentos] antes das sanções, por isso não houve impactos. Não se trata de recusar o sistema financeiro atual, mas sim de criar alternativas para realizar negócios de forma segura. A Rússia oferece isso no âmbito do BRICS, de propor um sistema alternativo para garantir segurança e estabilidade para as nossas economias", disse.
O ministro da Fazenda do Brasil, Dario Durigan, não pôde comparecer ao encontro do NBD. No entanto, enviou um vídeo no qual ressaltou que a alta tecnologia, como a inteligência artificial, pode promover avanços econômicos, mas precisa ser bem gerida para que não haja impactos de ordem social.
"Estamos vivendo um período de profundas mudanças tecnológicas, como a IA, infraestruturas digitais e outras tecnologias financeiras que estão remodelando a economia e a produtividade de serviços públicos em uma velocidade sem precedentes. Para países como o Brasil, isso cria oportunidades e desafios. Contudo, se esta transição não for bem gerida, pode também aprofundar as desigualdades", discursou.
Nessa perspectiva, o professor Jeffrey Sachs, diretor do Centro de Crescimento Sustentável da Universidade de Columbia, participou por videoconferência e, em sua contribuição ao debate, enfatizou que a influência dos EUA e da Europa está reduzida e também destacou a importância da presença estatal para o pleno desenvolvimento.
"A hegemonia dos EUA acabou, e a Europa não pode dirigir o mundo, pois representa apenas 10% da população mundial. Felizmente, o BRICS está na vanguarda com investimentos em infraestruturas [em países do Sul Global]. Para promover o crescimento saudável de uma sociedade, é necessária a presença estatal, além do setor privado. Dessa forma, o planejamento de longo prazo é fundamental", comentou.
Tecnologias para a área da saúde em pauta
Durante o dia, houve o seminário "Tendências na Saúde 2030", que contou com a presença de diversos representantes de instituições russas e do Ministério da Saúde do Brasil, que enviou como representante Fernanda de Negri, secretária de Ciência e Tecnologia da Inovação em Saúde da pasta, que revelou à Sputnik como foi a sua participação.
"A nossa participação foi contar um pouco o que é o SUS, que congrega mais de 200 milhões de pessoas, e como a gente integra esses dados. A partir daí, como a gente pode usar a IA para gerir melhor o sistema de saúde. O NBD está financiando um projeto do Hospital Inteligente no Brasil, que é coordenado pelo Ministério da Saúde. Já começamos a pensar em outros projetos que podem ter financiamento do Banco do BRICS", revelou.
Já Lorena Pozzo, diretora de Instalações Radioativas e Controles da Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN), também compartilhou com a reportagem como foi sua interação ao longo da programação do evento do NBD.
"Participar dessa mesa de discussão sobre medicina do grupo do BRICS, especialmente nas aplicações da IA e da digitalização da saúde. A gente então pôde adicionar a esse debate a necessidade de se pensar nessas ferramentas digitais que dão suporte à expansão da medicina nuclear, especialmente, mas também da radioterapia, que é o campo regulatório", concluiu.
Em um mundo multipolar, a integração entre países em todos os níveis se torna cada vez mais inevitável. Com isso, a cooperação e a adaptação a uma nova economia totalmente digitalizada, além de necessária, é vital para o crescimento sustentável.
Por Sputinik Brasil