MEIO AMBIENTE

Mata Atlântica registra menor índice de desmatamento em quatro décadas, aponta relatório

Pressão pública, fiscalização e políticas ambientais contribuem para queda histórica na supressão florestal; Bahia, Piauí, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul concentram maior parte das perdas

Publicado em 14/05/2026 às 10:37
Área de Mata Atlântica preservada: desmatamento atinge menor nível em 40 anos, aponta relatório. © Folhapress / Anderson Coelho

O desmatamento na Mata Atlântica atingiu, em 2025, o menor nível dos últimos 40 anos, consolidando uma tendência contínua de redução, segundo relatório da Fundação SOS Mata Atlântica em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

A entidade destaca que a área de florestas maduras suprimidas caiu 40%, passando de 14.366 para 8.668 hectares. Este é um marco histórico para o bioma, pois, pela primeira vez em quatro décadas de monitoramento, uma devastação anual ficou abaixo de 10 mil hectares.

"O Sistema de Alertas de Desmatamento [SAD] Mata Atlântica [...] registrou queda de 28% no desmatamento em relação ao período anterior – de 53.303 para 38.385 hectares. Trata-se do menor índice dos quatro anos de acompanhamento", ressalta o relatório.

O avanço é atribuído à pressão pública, mobilização social, políticas ambientais e ações de fiscalização, incluindo embargos remotos, restrição de crédito em áreas desmatadas ilegalmente e aplicação da lei de proteção da vegetação nativa.

Houve redução nas derrubadas em 11 dos 17 estados do bioma, especialmente na Bahia e no Piauí. Apesar disso, esses estados, junto com Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, ainda concentram 89% da área desmatada.

Quase toda a área devastada (96%) foi destinada à agropecuária, grande parte com acusações de ilegalidade. Os dados de 2025 confirmam a trajetória de queda, mas reforçam a necessidade de vigilância constante, pois cada fragmento de floresta perdida é relevante.

A Mata Atlântica tem potencial para atingir o desmatamento zero, mas enfrenta riscos no âmbito legislativo, como propostas que enfraquecem mecanismos de controle ambiental e permitem que os municípios autorizem a supressão de vegetação primária sem a estrutura técnica devida.

Atualmente, apenas 12,4% da cobertura original corresponde a florestas maduras. O monitoramento contínuo ao longo de 40 anos mostra que o resultado de 2025 representa uma mudança consistente, evidenciando que políticas rigorosas e critérios técnicos são eficazes na redução do desmatamento, conclui o relatório.

Paralelamente, o Centro Especializado em Manejo Integrado do Fogo (CEMIF) informou que o período mais crítico para incêndios florestais em 2025 cerrou-se com 434.392 hectares queimados em unidades de conservação.

Segundo o governo federal, este é o segundo menor volume já registrado na série histórica, ficando atrás apenas de 2018, quando foram contabilizados 428.320 hectares afetados — à época, apenas 39 unidades eram monitoradas, contra 79 em 2025.

Por Sputinik Brasil