INOVAÇÃO E LIDERANÇA

CEOs devem atuar como maestros na era da IA, diz Neil Redding

Futurista defende que líderes empresariais adotem postura de orquestração, promovendo colaboração entre pessoas e inteligência artificial para responder à velocidade das transformações tecnológicas.

Publicado em 13/05/2026 às 22:30
Neil Redding Reprodução

Neil Redding, reconhecido como o "futurista do agora", dedica-se a analisar tendências tecnológicas que impactarão empresas e sociedade nos próximos meses. Durante sua apresentação no São Paulo Innovation Week (SPIW), maior festival global de tecnologia e inovação promovido pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na Faap, Redding destacou que a inteligência artificial (IA) está transformando o papel das lideranças corporativas devido à agilidade na execução de tarefas proporcionada pela tecnologia.

O especialista chama atenção para o fenômeno conhecido como "clock drift" (deriva do relógio), em que a burocracia organizacional impede que as empresas acompanhem o ritmo acelerado da IA.

Nesse contexto, Redding defende que a liderança moderna deve priorizar menos o controle e mais a orquestração da colaboração entre humanos e sistemas inteligentes. Segundo ele, à medida que a IA deixa de ser apenas uma ferramenta e passa a atuar como participante ativa nos negócios, cabe aos líderes utilizar o potencial de raciocínio das máquinas para cocriar soluções, e não apenas delegar tarefas isoladas.

"A IA pode tornar a execução barata e rápida. Quando a execução supera a velocidade de decisão, a solução não é um controle mais rígido. É um tipo de liderança completamente diferente", afirma Redding.

O futurista observa que, na era da IA, profissionais em todo o mundo estão migrando de executores de tarefas para tomadores de decisão. Por isso, a liderança deve assumir o papel de maestro, conduzindo a orquestra organizacional.

"Orquestrar é liderar o sistema como um todo. O termo vem da música: cada músico sabe o que deve tocar, e o maestro orienta conforme as condições mudam. Isso é orquestração — um ajuste frequente do sistema diante das mudanças", explica.

De acordo com Redding, liderar empresas atualmente envolve um ciclo contínuo de monitoramento das capacidades em evolução, avaliação de resultados, realocação de responsabilidades entre humanos e agentes inteligentes, e ajuste dos padrões de interação.

Ele ressalta que o principal desafio para o futuro das empresas não é a velocidade das mudanças, mas a visão estratégica. "O risco real não é agir devagar, mas otimizar o modelo de negócio para um futuro em que ele não será mais relevante. A verdadeira oportunidade está em explorar e evoluir continuamente o modelo de negócios para atender às necessidades futuras à medida que surgem", conclui.

O São Paulo Innovation Week, maior festival global de tecnologia e inovação, é promovido pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na Faap, entre os dias 13 e 15. O evento reúne mais de 2 mil palestrantes nacionais e internacionais das áreas de ciência, saúde, educação, agronegócio, finanças, mobilidade, geopolítica, esportes, sustentabilidade, arte, música, filosofia, entre outras.