O Câncer que podemos erradicar: o poder da vacina contra o HPV na saúde da mulher
Diferente de muitas outras formas da doença, o câncer de colo do útero possui uma característica singular: ele é quase totalmente evitável. No entanto, as novas estimativas do INCA para o triênio 2026-2028 acendem um alerta vermelho ao projetarem mais de 19.300 novos casos anuais no Brasil, um aumento de cerca de 14% em relação ao período anterior. Diante desses números, a pergunta que deve ser feita não é apenas como tratar, mas por que ainda permitem que tantas mulheres adoeçam por uma causa evitável.
O caminho para a erradicação tem nome e sobrenome: Vacinação contra o HPV. O Papilomavírus Humano está por trás de quase 99% dos diagnósticos deste tipo de câncer. A ciência já comprovou que a imunização, preferencialmente antes do início da vida sexual, reduz em até 58% a incidência da doença e em mais de 60% as lesões pré-cancerígenas.
Apesar da estratégia brasileira de dose única para jovens de 9 a 14 anos ser fundamental, o avanço é impedido pela desinformação e pelas desigualdades regionais, o câncer ainda é a segunda causa de morte por câncer entre mulheres no Norte e Nordeste. A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem a meta ambiciosa de eliminar o câncer de colo do útero até 2030. Para isso, é crucial tratar a vacinação escolar como prioridade absoluta e substituir o tabu pela educação em saúde. A erradicação está ao alcance, garantindo que a proteção chegue antes do vírus.
É necessário entender que a vacina contra o HPV é, em essência, uma vacina contra o câncer. Ao imunizar meninos e meninas, estão garantindo que as próximas gerações não precisem enfrentar as estatísticas severas que existem hoje nos consultórios.
A cirurgiã oncológica do CRIO (Centro Regional Integrado de Oncologia), Renata Justa, enfatiza "O câncer de colo do útero não deve ser uma sentença de morte em um mundo que possui a vacina para preveni-lo." E reafirma que a conscientização sobre a prevenção é o ato generoso de cuidado que podem oferecer às mulheres de hoje e do futuro. "A erradicação está ao nosso alcance; basta que a proteção chegue antes do vírus." conclui.
A meta da Organização Mundial da Saúde de eliminar o câncer de colo do útero até 2030 é ambiciosa, mas plenamente possível se utilizarmos a ferramenta que já temos em mãos.