BALANÇO FINANCEIRO

CVC Corp registra prejuízo líquido ajustado de R$ 63,1 milhões no 1º trimestre de 2026

Companhia atribui resultado negativo à instabilidade geopolítica, alta do querosene e pressão das despesas financeiras.

Publicado em 13/05/2026 às 19:22
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A CVC Corp encerrou o primeiro trimestre de 2026 com prejuízo líquido ajustado de R$ 63,1 milhões, revertendo o lucro ajustado de R$ 24 milhões registrado no mesmo período do ano anterior. Segundo a empresa, o resultado foi impactado pelo cenário geopolítico internacional mais instável, que reduziu a demanda por viagens ao exterior, além do aumento das despesas financeiras.

O Ebitda ajustado totalizou R$ 93,7 milhões, queda de 10,5% em relação ao primeiro trimestre de 2025. A margem Ebitda ajustada recuou 3,2 pontos percentuais, alcançando 25,7%. Apesar do contexto adverso, a receita líquida apresentou leve alta de 0,8%, somando R$ 365,1 milhões.

A companhia destacou que o agravamento dos conflitos no Oriente Médio prejudicou rotas e conexões internacionais importantes, elevando o número de cancelamentos e remarcações para destinos na Ásia, Oriente Médio e Oceania.

Além disso, a elevação do preço do querosene de aviação pressionou as tarifas aéreas, a oferta de assentos e o consumo de viagens durante o período.

As reservas confirmadas cresceram 3,8% no trimestre, atingindo R$ 4,28 bilhões, enquanto as reservas consumidas aumentaram 5,6%, para R$ 4,39 bilhões. No Brasil, o avanço das reservas confirmadas foi de 8,1%, impulsionado principalmente pelo segmento B2B, que cresceu 12,1%.

Segundo a CVC, a operação brasileira conseguiu compensar parte dos impactos negativos com o aumento das vendas de destinos alternativos nas Américas, como Santiago, Buenos Aires e Punta Cana. Mudanças nos requisitos migratórios também favoreceram Cancun, que ganhou participação nas vendas.

Resultado financeiro

O resultado financeiro ficou negativo em R$ 80,7 milhões no trimestre, piora de 52% em relação ao mesmo período do ano anterior. A empresa atribuiu o desempenho ao maior gasto com antecipação de recebíveis, aumento das despesas bancárias e redução dos ganhos cambiais na Argentina.

As despesas com juros sobre antecipação de recebíveis cresceram R$ 4,9 milhões na comparação anual, refletindo alta da taxa de juros e maior volume antecipado. Já as despesas relacionadas ao IOF aumentaram R$ 1,4 milhão, devido à elevação da alíquota sobre pagamentos a fornecedores estrangeiros.

A linha de outras receitas financeiras apresentou piora de R$ 20,4 milhões, principalmente pela redução dos ganhos cambiais na conversão de dólar para pesos argentinos após mudanças nas políticas cambiais do país.

Caixa e dívida

A dívida líquida da CVC atingiu R$ 241,8 milhões ao final de março, aumento de R$ 140 milhões em relação ao quarto trimestre de 2025, reflexo do consumo de caixa no período. A alavancagem financeira subiu de 0,2 vez para 0,5 vez dívida líquida/Ebitda nos últimos 12 meses.

O fluxo de caixa livre ficou negativo em R$ 167,8 milhões no trimestre, deterioração de R$ 94,2 milhões na comparação anual. Segundo a empresa, o desempenho foi impactado principalmente pelo aumento dos adiantamentos a fornecedores, devido à alta das tarifas aéreas.

Os investimentos somaram R$ 46,3 milhões no trimestre, mais que o dobro do registrado um ano antes. Os recursos foram direcionados à aquisição de tecnologias para novas frentes de crescimento digital, incluindo projetos de inteligência artificial aplicada ao turismo.