POLÍTICA

Zema critica Flávio Bolsonaro após escândalo com Vorcaro: 'Tapa na cara dos brasileiros'

Pré-candidato à Presidência, Romeu Zema condena pedido de repasse financeiro a banqueiro investigado e amplia pressão sobre Flávio Bolsonaro.

Por Sputinik Brasil Publicado em 13/05/2026 às 19:10
Romeu Zema critica Flávio Bolsonaro após denúncias de repasses do banqueiro Vorcaro para filme ligado ao ex-presidente. © Foto / Partido Novo/Divulgação

O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência, Romeu Zema (Novo), criticou publicamente nesta quarta-feira (13) o senador Flávio Bolsonaro após reportagens revelarem supostos repasses do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, para financiar o filme Dark Horse, produção ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, Zema afirmou que a situação enfraquece o discurso da direita contra o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

"Flávio Bolsonaro, ouvir você cobrando dinheiro do Vorcaro é imperdoável. É um tapa na cara dos brasileiros de bem. Não adianta nada criticar as práticas de Lula e do PT e fazer a mesma coisa", declarou.

A manifestação ganhou destaque, já que Zema e Flávio vinham mantendo proximidade política nos últimos meses e chegaram a ser cogitados como possíveis aliados para a eleição presidencial de 2026. Em abril, ambos publicaram um vídeo descontraído nas redes sociais, sugerindo uma possível chapa única ao Planalto, com Zema de vice.

O ex-governador mineiro também ressaltou que "é preciso ter credibilidade para mudar o Brasil", elevando o tom das críticas ao senador.

De acordo com o Intercept Brasil, documentos e mensagens indicam que ao menos US$ 10,6 milhões (R$ 61 milhões) teriam sido destinados por Vorcaro entre fevereiro e maio de 2025 para custear a produção cinematográfica sobre Jair Bolsonaro.

A reportagem revelou ainda um áudio de WhatsApp em que o senador pede dinheiro a Vorcaro para finalizar o filme, em 8 de setembro de 2025, um dia antes de o banqueiro ser preso pela Polícia Federal (PF) por fraude financeira, que resultou em prejuízos de R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

A repercussão do caso aumentou a pressão sobre o filho do ex-presidente até mesmo dentro da direita. Outro pré-candidato do campo conservador, Renan Santos (Missão), declarou que "onde há escândalo de corrupção, há Flávio Bolsonaro".

O senador, por sua vez, afirmou que o contato com Vorcaro teve como objetivo buscar "patrocínio privado para um filme privado", sem uso de recursos públicos ou mecanismos como a Lei Rouanet. Flávio também defendeu a instauração de uma CPI para investigar o Banco Master.

"Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado e não existiam acusações ou suspeitas públicas sobre o banqueiro. O contato foi retomado devido ao atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme. Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem", disse.

Novo pedido de dinheiro para filme do pai

Segundo o Intercept, Flávio Bolsonaro negociava com Vorcaro um novo repasse, de US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões à época), mas o site não confirmou se o pagamento foi realizado. O Banco Master foi liquidado e Vorcaro preso antes que o cronograma de pagamentos do filme fosse finalizado.

A matéria também cita como intermediários o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, e Mario Frias, deputado federal (PL-SP) e ex-secretário da Cultura no governo Bolsonaro.