ECONOMIA INTERNACIONAL

Senado dos EUA aprova Warsh para presidência do Fed em meio a debate sobre autonomia do banco central

Nomeação de Kevin Warsh ocorre em meio a pressões da Casa Branca por juros mais baixos e questionamentos sobre independência do Federal Reserve.

Publicado em 13/05/2026 às 16:16
Kevin Warsh AP Photo/Mark Lennihan, File

O Senado dos Estados Unidos aprovou nesta quarta-feira, 13, por 54 votos a 45, a nomeação de Kevin Warsh para um mandato de quatro anos à frente da presidência do Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano. A decisão consolida a troca de comando no Fed em um momento de intenso escrutínio sobre a independência da instituição e aumento da pressão da Casa Branca por cortes nas taxas de juros. O mandato de Jerome Powell se encerra na sexta-feira, 15, e Warsh deverá comandar já a próxima reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), marcada para junho.

A confirmação de Warsh ocorreu após o Senado aprovar, na terça-feira, sua entrada no Conselho do Fed para um mandato de 14 anos como diretor. Com maioria republicana, o plenário acelerou o processo para garantir a transição antes do término do mandato de Powell. O nome do ex-diretor do banco central havia sido aprovado pelo Comitê Bancário do Senado no final de abril.

Indicado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, em janeiro, Warsh assume o comando do Fed cercado de questionamentos sobre o grau de autonomia frente à Casa Branca. Durante sua sabatina no Senado, o economista afirmou que a independência da política monetária é "essencial", mas evitou criticar as reiteradas pressões públicas de Trump por cortes de juros. Warsh também declarou não acreditar que comentários de autoridades eleitas representem, por si só, uma ameaça relevante à independência operacional do Fed.

As declarações provocaram críticas de ex-dirigentes da instituição. O ex-presidente do Fed de Boston, Eric Rosengren, avaliou que a audiência de confirmação reforçou dúvidas sobre a independência de Warsh em relação ao governo Trump e afirmou que o indicado não demonstrou disposição para divergir da administração republicana.

Ainda assim, parte do mercado interpretou o depoimento como relativamente hawkish. Em análise divulgada após a audiência, o Bank of America (BofA) afirmou que Warsh não apresentou argumentos convincentes para cortes de juros no curto prazo e sinalizou preferência por uma postura cautelosa diante da inflação. O banco também destacou críticas do indicado ao uso excessivo de "orientação futura" e sua defesa de mudanças na comunicação do Fed.

Warsh defende ainda uma redução mais agressiva do balanço patrimonial do banco central, atualmente acima de US$ 6 trilhões. Antes mesmo da indicação, ele já argumentava que o Fed deveria reduzir significativamente sua carteira de ativos e abandonar gradualmente a concentração em títulos longos do Tesouro americano. Analistas, porém, avaliam que qualquer movimento mais profundo dependerá de coordenação com o Tesouro e de apoio do restante do FOMC. Para a Fitch, a ação é considerada arriscada e improvável de ser implementada rapidamente.

No Conselho do Fed, Warsh ocupa a vaga anteriormente preenchida por Stephen Miran, também indicado por Trump, cujo mandato terminou em janeiro. Miran era visto como um dos dirigentes mais dovish da instituição, defendendo apoio monetário à economia e chegando a afirmar, em março, que o banco central poderia estar "perseguindo uma inflação fantasma".

Jerome Powell, por sua vez, declarou no fim de abril confiar na capacidade de Warsh para construir consenso dentro do Fed e afirmou esperar continuidade institucional na condução da política monetária, em sua última decisão à frente do banco central. Ao mesmo tempo, reconheceu que a autoridade monetária ainda enfrenta riscos à sua autonomia. "Adoraria pensar que já passamos pela era de pressões sobre o Fed", disse. Apesar de deixar a presidência nesta sexta-feira, Powell continuará seu mandato como diretor do banco central norte-americano.