ECONOMIA DIGITAL

Mercado "invisível": como o conhecimento brasileiro está conquistando espaço na economia digital global

Por Assessoria Publicado em 13/05/2026 às 16:30
Gabriel Caetano

Sem atravessar fronteiras físicas, sem depender de logística tradicional e sem passar pela alfândega, o Brasil vem ampliando sua presença em um dos setores mais lucrativos da nova economia: o mercado de infoprodutos e serviços digitais. Impulsionado pelo avanço da tecnologia, pela popularização da inteligência artificial e pela expansão do consumo online, o chamado “mercado invisível” movimenta milhões de dólares todos os anos por meio da venda de conhecimento, estratégias e produtos digitais para diferentes países.

O que antes posicionava o Brasil apenas como um mercado criativo, hoje começa a consolidar o país como referência internacional em marketing digital, vendas online e construção de audiência. Profissionais brasileiros vêm ganhando espaço em mercados maduros justamente pela combinação entre capacidade de adaptação, velocidade de execução e domínio técnico de ferramentas de escala.

Segundo dados do IAB Brasil, o mercado de publicidade digital no país movimentou R$ 22,7 bilhões em 2024, registrando crescimento de 14,5% em relação ao ano anterior. Mas, para além da tecnologia, um dos grandes diferenciais brasileiros está na capacidade de transformar comunicação em conversão.

Para Gabriel Caetano da Silva, especialista em marketing digital e criação de infoprodutos globais, o ambiente digital ampliou o alcance natural da habilidade comercial brasileira. “A venda continua sendo uma conexão humana mediada por uma solução. A diferença é que hoje um especialista no Brasil consegue ensinar, influenciar e vender para qualquer lugar do mundo usando plataformas digitais, inteligência artificial e estratégias de segmentação extremamente avançadas”, afirma.

Segundo ele, ferramentas baseadas em IA vêm reduzindo barreiras que antes limitavam a entrada de pequenos produtores digitais no mercado global. Processos que exigiam equipes completas de design, edição e redação passaram a ser executados por estruturas muito mais enxutas e ágeis. “A inteligência artificial acelerou a capacidade de produção e distribuição de conteúdo. Hoje é possível criar páginas de vendas, campanhas, vídeos traduzidos e experiências personalizadas em escala global com muito mais velocidade e eficiência”, explica Gabriel.

Outro fator que fortalece o Brasil nesse cenário é a diversidade do próprio mercado interno. Nichos como educação, beleza, saúde, produtividade, finanças, mercado pet e desenvolvimento pessoal funcionam como laboratórios de teste para estratégias digitais que depois são exportadas para outros países.

Porém, apesar do crescimento acelerado, o setor ainda enfrenta um desafio importante: a escassez de mão de obra qualificada. Com empresas de diferentes segmentos ampliando investimentos em presença digital, cresce também a demanda por profissionais especializados em tráfego pago, inteligência artificial, automação, produção de conteúdo e análise de dados. “Não basta apenas dominar ferramentas, o próximo nível do mercado digital será definido por quem consegue transformar dados em narrativas capazes de gerar conexão, confiança e conversão”, pontua o especialista.

Na prática, o Brasil deixou de exportar apenas produtos físicos para também exportar conhecimento, influência e estratégia. O avanço de especialistas brasileiros no cenário internacional mostra que a nova economia não depende apenas de infraestrutura física, mas da capacidade de criar valor, construir audiência e transformar conhecimento em escala.