Lucro líquido da JBS cai 56% no primeiro trimestre, para US$ 221 milhões
Companhia aponta ciclo pecuário nos EUA como principal fator para queda; receita líquida cresce 11% no período
A JBS registrou lucro líquido de US$ 221 milhões no primeiro trimestre de 2026, uma queda de 56% em relação ao mesmo período do ano anterior, conforme divulgado pela companhia nesta terça-feira (12), após o fechamento do mercado.
A receita líquida atingiu US$ 21,61 bilhões, alta de 11% na comparação anual. O Ebitda ajustado recuou 25,8%, somando US$ 1,13 bilhão, enquanto a margem passou de 7,8% para 5,2%, redução de 2,6 pontos percentuais.
O lucro por ação caiu de US$ 0,47 para US$ 0,21 no período analisado. O lucro operacional ajustado também apresentou retração de 48%, totalizando US$ 516 milhões. Segundo a JBS, o principal fator para a pressão nos resultados foi o ciclo pecuário nos Estados Unidos, que elevou o custo do gado em um cenário de oferta restrita.
“O trimestre foi particularmente relevante pela operação de carne bovina nos Estados Unidos”, afirmou o CEO global da companhia, Gilberto Tomazoni. De acordo com ele, a empresa mudou uma postura de austeridade para promover a geração de caixa e preservar a eficiência operacional.
A JBS destacou ainda que a operação de bovinos nos Estados Unidos foi mais impactada, embora a receita da unidade tenha crescido 11,6%, alcançando US$ 7,17 bilhões. As demais áreas de negócios também apresentaram avanços. A Seara registrou receita líquida de US$ 2,38 bilhões, alta de 10,6%, com margem Ebitda de 15,5%. Já a JBS Brasil alcançou receita recorde para um primeiro trimestre, de US$ 3,79 bilhões, avanço de 19,5%, impulsionado pela demanda internacional aquecida.
O fluxo de caixa livre ficou negativo em US$ 1,47 bilhão no trimestre, frente ao consumo de US$ 917,5 milhões no mesmo período do ano anterior. Segundo a companhia, o resultado reflete a sazonalidade do primeiro trimestre, maior necessidade de capital de giro e aumento dos investimentos. Os desembolsos com investimentos cresceram para US$ 566 milhões, mais que o dobro registrado um ano antes.
O CFO global da JBS, Guilherme Cavalcanti, explicou que o maior consumo de caixa também foi consequência do aumento superior a US$ 300 milhões em investimentos de crescimento na comparação anual. Segundo ele, houve ainda impacto da postergação de pagamentos de gado e meses de dezembro para janeiro.
A alavancagem encerrou março em 2,77 vezes dívida líquida/Ebitda, acima de 1,99 vez vista um ano antes, mas ainda dentro do meta de longo prazo da companhia. A dívida líquida totalizou US$ 17,86 bilhões ao fim do trimestre.