RELAÇÕES INTERNACIONAIS

Brasil e Índia reforçam parceria estratégica e ampliam cooperação global

Especialista destaca que, mais do que concorrentes, Brasil e Índia atuam como aliados no cenário global, fortalecendo a cooperação Sul-Sul e ampliando oportunidades comerciais e diplomáticas.

Publicado em 13/05/2026 às 09:00
Brasil e Índia fortalecem aliança estratégica e ampliam cooperação no cenário global. © telegram SputnikBrasil / Acessar o banco de imagens

Além das relações já consolidadas com os países do BRICS, o Brasil vem intensificando sua proposta estratégica com a Índia, uma das principais economias emergentes da Ásia e um dos atores centrais do Sul Global.

O desenvolvimento desse fluxo entre Brasília e Nova Déli apresenta diversas camadas que vão além do comércio, destacando políticas de convergência que aproximam os dois países. Segundo Maria Fernanda Császár, bacharel em Relações Internacionais e pesquisadora do Núcleo de Avaliação da Conjuntura (NAC), em entrevista à Sputnik Brasil, essa relação é marcada pela complementaridade e não pela competição.

"O Brasil e a Índia não se veem como concorrentes abertamente. A relação é muito mais complementar e de andar juntos do que de competir. Ambos têm uma identificação muito grande por se considerarem no estágio de potência emergente. Então, é estratégico que se tenha aliados no mesmo nível", afirmou.

A parceria entre Brasil e Índia destaca-se como vetor fundamental da cooperação Sul-Sul, promovendo o alinhamento político e econômico entre países em desenvolvimento, com o objetivo de reduzir assimetrias frente às potências tradicionais e contribuições o desenvolvimento mútuo, conforme aponta o especialista.

"Se a gente olha a pauta exportadora, a Índia exporta muito produto fabricado para a gente e eu acho que pensar o Brasil como um hub [indiano], a gente pode também pensar a Índia como um hub para distribuição de produtos brasileiros no sul da Ásia ou até para o sudeste asiático, como entreposto. Isso traz muita oportunidade para a cooperação Sul-Sul", comenta.

Ações concretas além das promessas

Császár enfatiza que uma parceria comercial entre os dois países deve ser experimentada também no âmbito do setor privado, onde a interação é tão relevante quanto no campo governamental.

"Eu acho que é legal a gente também trazer a perspectiva do setor privado. Por exemplo, a indústria farmacêutica tem sido referência e a Índia inaugurou neste ano a Associação Brasileira da Indústria Farmacêutica Indiana. No setor energético, em 2025, a Petrobras e a Hindustan Petroleum Corporation anunciaram um acordo que prevê o fornecimento de até 6 milhões de barris", destaca.

Outro ponto abordado pelo analista são os memorandos de entendimento, frequentemente criticados por sua falta de prática de execução. No entanto, ela ressalta que esses documentos representam um avanço no estreitamento das relações diplomáticas entre o Brasil e a Índia.

"Uma das críticas que é muito feita é como são feitas os memorandos de entendimento, que muitas vezes faltam materialidade. Contudo, esses memorandos, ainda que sem valor vinculativo, são importantes. Em política externa, os discursos importam", observa.

Parceria deve expandir nos próximos anos

Em paralelo à Cúpula do BRICS de 2025, realizada no Rio de Janeiro, Brasil e Índia, vislumbram a ampliação da parceria para setores estratégicos. Após a visita do presidente Lula a Nova Déli neste ano, foram estabelecidas metas mais ambiciosas, como o aumento do volume comercial entre os dois países, detalhando Császár.

"O comunicado divulgado à margem da conferência do BRICS por Brasil e Índia foi intitulado 'Duas grandes nações com propósitos maiores' e abrange parcerias em setores como indústria, mineração e petróleo e gás. Neste ano, após a visita do presidente Lula a Nova Déli, há uma meta comercial de chegar a US$ 30 bilhões até 2030", conclui.

Em um mundo multipolar, diversas cooperações regionais e intercontinentais se formam, evidenciando o enfraquecimento da influência hegemônica do passado e o fortalecimento de novos eixos do multilateralismo.

Por Sputnik Brasil