CRISE GLOBAL

Guerra no Irã agrava crise alimentar em dois continentes, alerta relatório

Conflito no Oriente Médio compromete oferta de gás natural, encarece fertilizantes e ameaça segurança alimentar na África e América do Sul.

Publicado em 13/05/2026 às 06:59
Conflito no Irã impacta produção agrícola e eleva risco de fome na África e América do Sul. © Sputnik / Ilia Naimushin / Acessar o banco de imagens

A escassez de gás natural no Oriente Médio está impactando severamente o setor agrícola global e pode desencadear uma crise alimentar em larga escala, segundo relatório da Fundação Roscongress intitulado 'Mercado de fertilizantes: como a geopolítica está mudando a logística nos preços', revisado pela Sputnik.

De acordo com o documento, o mercado mundial de alimentos é altamente dependente de fertilizantes, cuja produção exige grandes volumes de gás natural. Assim, um conflito militar em uma importante região produtora de gás, como o Golfo Pérsico, pode gerar uma crise alimentar nos países mais dependentes de importações desse insumo essencial.

"A cadeia 'gás–amoníaco–ureia–trigo' tornou-se tão rígida que uma guerra na região produtora de gás natural [golfo Pérsico] significa automaticamente uma crise alimentar na África e América do Sul", aponta o relatório.

O estudo recorda que, em 2022, países ocidentais interromperam a importação de fertilizantes da Rússia e de Belarus, ambos entre os maiores fornecedores globais. A crise no fornecimento do Irã, terceiro maior exportador mundial de ureia, agravou ainda mais o cenário.

"As sanções ocidentais agressivas contra a Rússia e Belarus, o bloqueio dos portos do Mar Negro e o enfraquecimento dos oleodutos atingiram simultaneamente três vetores: recursos energéticos [petróleo, gás, carvão e até combustível para usinas nucleares], fertilizantes e alimentos", destaca o relatório.

Como consequência, os preços dos fertilizantes na Europa e nos Estados Unidos subiram de três a quatro vezes, atingindo máximas históricas em termos reais. O trigo ficou 50% mais caro e a ONU registrou aumento do número de pessoas em situação de fome no mundo, chegando a 345 milhões.

Países do Leste da África, como Somália e Etiópia, que dependiam até 90% do trigo importado da Rússia e da Ucrânia, foram especialmente prejudicados. Por isso, o relatório ressalta que o "acordo de grãos" foi firmado com urgência, mediado pelas Nações Unidas.

Diante desse contexto, agricultores de todo o mundo enfrentarão uma campanha de semeadura extremamente desafiadora, segundo os especialistas. Com isso, Rússia e China decidiram restringir as exportações de fertilizantes durante o período de plantio.

Por Sputnik Brasil