MRV&CO reduz prejuízo líquido para R$ 77,6 milhões no 1º trimestre de 2026
Conglomerado apresenta queda de 78% nas perdas em relação ao mesmo período de 2025, impulsionado pelo desempenho da MRV.
A MRV&CO, conglomerado que reúne as empresas MRV, Urba, Luggo e Resia, registrou prejuízo líquido consolidado de R$ 77,6 milhões no primeiro trimestre de 2026. O resultado representa uma redução de 78% nas perdas em comparação ao mesmo período do ano anterior.
No critério ajustado — que desconsidera instrumentos financeiros sem efeito direto no caixa — o prejuízo líquido consolidado foi de R$ 14,4 milhões, queda expressiva de 94,5% na comparação anual.
A receita líquida consolidada atingiu R$ 2,776 bilhões, um crescimento de 21,6% em relação ao primeiro trimestre de 2025. As despesas operacionais consolidadas somaram R$ 444,5 milhões, alta de 6,5% no mesmo período.
O resultado financeiro, que considera o saldo entre receitas e despesas financeiras, gerou uma despesa líquida de R$ 238 milhões, redução de 7,9% frente ao ano anterior. Por outro lado, a linha de imposto de renda e contribuição social (IR/CSLL) pesou no balanço, totalizando R$ 63,3 milhões — aumento de 67,5% na comparação anual.
Unidades de negócios
A principal responsável pela diminuição do prejuízo consolidado foi a MRV, divisão focada em incorporação imobiliária e no programa Minha Casa Minha Vida (MCMV). As demais operações do grupo permaneceram deficitárias.
A MRV registrou lucro ajustado de R$ 132,8 milhões no primeiro trimestre de 2026, valor 7,4 vezes maior que o do mesmo período de 2025, quando o lucro foi de R$ 18 milhões. A receita líquida da MRV chegou a R$ 2,56 bilhões, alta de 17,6%.
O avanço da MRV é atribuído ao aumento dos lançamentos e das vendas de imóveis nos últimos meses, o que contribuiu para a diluição de custos e melhoria das margens. O preço médio de venda dos imóveis subiu 4,4%, alcançando R$ 270 mil.
A margem bruta da MRV foi de 31%, avanço de 3,7 pontos percentuais em relação ao primeiro trimestre do ano passado, mantendo-se estável em relação ao trimestre anterior. A companhia aumentou o orçamento de obras neste ano devido ao encarecimento dos custos de construção.
A Resia, subsidiária que atua nos Estados Unidos, registrou prejuízo de R$ 119,7 milhões no trimestre, uma perda 57% menor que no início de 2025. A empresa passa por processo de desmonte, com previsão de venda de US$ 800 milhões em terrenos e empreendimentos prontos, dos quais US$ 241 milhões já foram alienados.
As outras duas empresas do grupo também fecharam o trimestre no vermelho: a Luggo teve prejuízo de R$ 14 milhões e a Urba, de R$ 13,4 milhões.
Considerando apenas as operações no Brasil (MRV, Luggo e Urba), a MRV&CO encerrou o período com dívida líquida de R$ 2,49 bilhões, uma redução de 2,2% em relação ao quarto trimestre de 2025. A alavancagem — relação entre dívida líquida e patrimônio líquido — caiu de 41,8% para 41,2%.
Na operação dos Estados Unidos (Resia), a dívida líquida foi de US$ 676 milhões, recuo de 2,7%. Pela primeira vez, a subsidiária norte-americana apresentou patrimônio líquido negativo, no valor de US$ 32 milhões.