Entidades de energia alertam para custo de R$ 5,4 bi em parâmetro de risco do setor elétrico
Associações defendem revisão do critério de risco, que pode gerar custos extras com térmicas e impactar tarifas em 2027.
Associações, comercializadoras e representantes do setor de energia divulgaram um manifesto em defesa da redução do parâmetro de aversão ao risco no sistema elétrico brasileiro. Segundo as entidades, a manutenção do atual patamar pode resultar em um gasto adicional de R$ 5,4 bilhões com a operação de termelétricas. O tema será analisado pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) nesta semana.
O comunicado é assinado por entidades como a Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), Associação Brasileira dos Investidores em Autoprodução de Energia (Abiape), Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia e Consumidores Livres (Abrace Energia), Associação Brasileira de Comercializadores de Energia (Abraceel), Associação Nacional dos Consumidores de Energia (ANACE), Associação da Indústria de Cogeração de Energia (COGEN) e Frente Nacional dos Consumidores de Energia (FNCE).
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) avalia diferentes cenários hidrológicos de longo prazo para prever possíveis quedas no volume de chuvas e nos níveis dos reservatórios, buscando antecipar riscos e evitar crises hídricas. Esse cálculo, conhecido como CVaR (Conditional Value-at-Risk), determina o grau de aversão ao risco do sistema.
O parâmetro de risco influencia diretamente a formação dos preços de energia, especialmente o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD). Quanto maior o risco considerado, mais elevado tende a ser o preço, o que leva ao maior acionamento de termelétricas e, consequentemente, ao uso de bandeiras tarifárias com custos adicionais para o consumidor.
Até a atualização de 2024, a calculadora de risco considerava uma chance de 30% de escassez hídrica, com base nos 15 piores cenários em 30 simulados (modelo "15/30"). Com a mudança, passou-se a adotar o modelo "15/40", elevando para 40% a chance de escassez hídrica considerada nos cálculos.
O CMSE se reúne nesta quarta-feira, 13, para discutir os parâmetros de aversão a risco que serão utilizados nos modelos computacionais do setor elétrico a partir de 2027. Em 2023, o Comitê decidiu manter para 2026 os mesmos parâmetros adotados em 2025.
"Estará em definição os custos que suportarão a segurança energética em 2027, mais objetivamente, o nível estimado de térmicas que serão utilizadas para complementar a geração hidrelétrica. O ponto central desse debate é a relação entre custo e benefício", destaca o manifesto.
Segundo as entidades, os atuais parâmetros de risco já resultam em um custo de R$ 51,6 bilhões em geração termelétrica para garantir o fornecimento de energia mesmo em cenários hidrológicos extremamente adversos.
"A contratação ou despacho adicional que elevaria esse montante em R$ 5,4 bilhões não encontra justificativa técnica ou econômica consistente. Trata-se de custo incremental elevado, associado a benefício marginal reduzido", conclui o documento.