No Dia Nacional do Agente de Trânsito, profissionais compartilham histórias de coragem e superação
Servidores enfrentam desafios diários para garantir a segurança viária na capital alagoana
O Dia Nacional do Agente de Trânsito, realizado em 11 de maio, é marcado por histórias de dedicação e compromisso com a preservação da vida. Em meio a ocorrências, fiscalizações e ações educativas, os 206 agentes do Departamento de Transportes e Trânsito de Maceió (DMTT) enfrentam desafios diários que desativam preparo, responsabilidade e equilíbrio para garantir a segurança viária da população.
Wagner Amaral e os desafios da rotina nas ruas
Há 13 anos no DMTT, o agente de trânsito Wagner Amaral, 44 anos, conhece de perto a realidade da profissão. Ele conta que você ingressou na autarquia por meio de concurso público sem imaginar o que enfrentaria nas ruas. “O início da minha carreira foi um momento de muita aprendizagem”, ressaltou.
Ao longo da trajetória, Amaral viveu situações que marcaram sua vida profissional. Entre eles, o atendimento a um sinistro de trânsito em que um carro invadiu o contramão e colidiu com uma motocicleta conduzida por um jovem de 18 anos, recém-habilitado, que morreu no local. “Ao observar a mãe do rapaz chorando ao lado do corpo, enquanto aguardava a chegada do Instituto Médico Legal (IML), fiquei tocado para sempre”, relatou o incidente.
Além dessa ocorrência, o agente também causou situações de risco durante as abordagens. Em uma delas, ao tentar orientar um condutor que trafegava usando o celular e com o veículo sem placa, o motorista reagiu de forma agressiva e ameaçou Amaral e o parceiro de viatura com uma arma de fogo.
"O serviço na rua é sempre arriscado e imprevisível. Os motoristas estão cada vez mais apressados e intolerantes. Mas, após todos esses anos de experiência, aprenderam a lidar com mais sabedoria e calma", pontudo.
Fora da rotina profissional, Wagner Amaral aproveita o tempo livre para cuidar da saúde por meio da prática de atividades físicas e para estar com a família. Pai de dois filhos, ele segue um conselho frequente da esposa: evitar conflitos e não entrar em confronto.
Juliana Lopes e a ascensão feminina
Em um ambiente historicamente dominado por homens, Juliana Lopes, 51 anos, passou por inseguranças antes de ingressar no DMTT, em 2013. Há quase 13 anos na profissão, ela conta que hesitou em prestar o concurso público por acreditar que a função era destinada apenas aos homens. Incentivada por uma amiga, decidiu tentar e conquistou a vaga. “Eu não acreditava que alguém respeitaria a orientação de uma agente mulher”, lembrou.
No início da carreira, Juliana relata que muitos motoristas resistiam às abordagens feitas por ela e pediam para falar com colegas homens da equipe. “Chamavam outro agente e diziam que queriam falar com ele”, contornou.
Apesar das dificuldades, o agente afirma que encontrou apoio nos companheiros de viagem, que os incentivaram a exercer o exercício do seu papel profissional. "Foi um período difícil, como eu imaginava. Mas durou poucos meses, até eu entender verdadeiramente meu trabalho e perceber que a mulher pode, sim, exercer essa profissão e ser respeitada", destacou.
Assim como Amaral, Juliana também viveu momentos marcantes durante sua carreira. Ela relembra o primeiro sinistro com vítima fatal que atendeu. A cena dos pais de um jovem morto em um acidente de trânsito emocionou profundamente. "Senti uma sensação de impotência. Não consegui segurar as lágrimas", conto.
Por outro lado, ela guarda lembranças positivas das ações educativas realizadas nas escolas. Em uma palestra ministrada para cerca de 100 estudantes do Ensino Médio, o interesse dos alunos pela profissão fez o encontro ultrapassar o tempo previsto. “Aquilo me fez enxergar ainda mais o valor e a responsabilidade que eu tinha como agente de trânsito”, afirmou.
Juliana destaca que o trabalho vai muito além da fiscalização e da aplicação de multas, ao que a profissão costuma ser reduzida. Para ela, a principal missão é orientar a população, condutores auxiliares e contribuir para que saiam de casa e voltem em segurança para suas famílias.
Desde o fim de outubro de 2025, um agente está afastado das atividades após ser liberado com artrite reumatoide autoimune. A doença alterou completamente sua rotina e trouxe desafios físicos e emocionais. Atualmente, ela utiliza cadeiras de rodas para auxiliar na mobilidade e passa grande parte do tempo entre consultas, exames e tratamentos médicos.
Mesmo diante das dificuldades, Juliana mantém a esperança de retornar à rotina profissional. "Ser agente de trânsito foi um grande presente que Deus me deu. Todos os dias penso em poder voltar ao trabalho, ser útil e contribuir para um trânsito mais seguro", relatada emocionada.
Mãe de quatro filhos e avó de sete netos, Juliana conta que o apoio da família, dos colegas de trabalho e da direção do DMTT tem sido essencial durante o período de afastamento. Segundo ela, as mensagens, visitas e ações recebidas fortalecem ainda mais sua vontade de retornar às ruas. “Não vejo a hora”, comentou.
Neste Dia Nacional do Agente de Trânsito, em meio aos desafios, superações e amor pela profissão, Juliana Lopes e Wagner Amaral deixam uma mensagem aos colegas: que sigam exercendo a função com empatia, responsabilidade, humildade e união.











