MEMÓRIA E RESPONSABILIDADE

Lula defende identificar responsáveis pelo descontrole da pandemia de covid-19

Presidente sanciona Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19 e cobra responsabilização de agentes públicos e entidades

Publicado em 11/05/2026 às 16:54
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira que é necessário "dar nome aos bois" e identificar os responsáveis pelo descontrole da pandemia de covid-19 no Brasil. Durante a cerimônia de sanção da lei que institui o Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19, Lula declarou: "Nós temos que fazer com que as pessoas saibam quem foram os responsáveis que fortaleceram a ignorância do presidente no trato de uma pandemia como essa". A data será celebrada em 12 de março, marcada pelo falecimento da primeira vítima da doença no país, em 2021.

Lula ressaltou que nunca responsabilizou pessoalmente o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mas ponderou: "Presidente não tem que saber tudo, mas ele tem, pelo menos, que ouvir quem sabe". Segundo Lula, o governo anterior "era composto de um monte de gente que fazia questão de se fazer de ignorante".

Para o presidente, a condução da pandemia pelo governo Bolsonaro resultou em um "sacrifício desnecessário". "Se tivessem ouvido as pessoas que entendiam disso, a gente teria, no mínimo, evitado que tivessem morrido umas 400 mil pessoas", avaliou.

Lula também criticou sindicatos e entidades médicas, acusando-os de omissão: "Muita gente se calou. Os sindicatos não foram para cima, as entidades médicas não foram para cima, teve entidade importante do Brasil que nunca falou nada".

O presidente enfatizou a necessidade de expor práticas equivocadas durante a pandemia: "Temos que dizer em alto e bom som a quantidade de médico que receitava cloroquina, a quantidade de gente que dizia que vacina fazia as pessoas virarem jacaré, que fazia tudo de mal para as crianças".

Durante o discurso, Lula leu um trecho de entrevista do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente, na qual ele afirmava que "a pressa pela vacina não se justifica". Ao mencionar a entrevista, Lula referiu-se a Eduardo como "fujão que está nos EUA tentando pregar golpe contra o Brasil".