POLÍTICA

Lula critica negacionismo na gestão Bolsonaro ao sancionar Dia das Vítimas da Covid

Por Sputinik Brasil Publicado em 11/05/2026 às 17:02
© AP Photo / Felipe Dana

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta segunda-feira (11), no Palácio do Planalto, a lei que institui o dia 12 de março como o Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19. A cerimônia foi marcada por homenagens às mais de 700 mil vítimas da pandemia no Brasil e críticas à condução da crise durante o governo Jair Bolsonaro.

A data faz referência ao dia em que foi registrada a primeira morte por Covid-19 no país, em 2020. O projeto foi apresentado pelo deputado federal Pedro Uczai (PT-SC) e aprovado pelo Congresso antes da sanção presidencial.

Em um dos trechos mais duros da coletiva, Lula afirmou que a pandemia não pode cair no esquecimento e defendeu que os responsáveis ​​pela disseminação da desinformação sejam lembrados pela sociedade. “Só tem sentido a gente criar alguma coisa para lembrar o passado se a gente conseguir cravar o nome de quem foi responsável”, declarou o presidente.

Lula criticou diretamente o comportamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) durante a pandemia e afirmou que o antigo governo ignorou orientações científicas mesmo diante do avanço das mortes.

“Se tivesse tido o cuidado mínimo de ouvir as pessoas que entendiam isso, a gente teria no mínimo suspenso a possibilidade de ter morrido dessas 700 mil, umas 400 mil pessoas”, afirmou.

O presidente também relembrou declarações feitas por Bolsonaro contra as vacinas e disse que a disseminação de mentiras teve impacto direto na tragédia sanitária. “A quantidade de gente desse país que dizia que a vacina fazia as pessoas virarem gay, que a vacina fazia as pessoas virarem jacaré”, disse Lula.

Em outro momento, o presidente criticou médicos, parlamentares e figuras públicas que defendiam medicamentos sem eficácia comprovada durante uma pandemia.

“Tinha médica, gente com mandato de deputado, gente conhecida na sociedade, que fazia questão de fazer com que a ignorância fosse perpassada através dos meios de comunicação para o Brasil inteiro”, afirmou.

Lula também relembrou falas de Bolsonaro em dezembro de 2020, quando o então presidente questionava a vacinação contra a Covid-19 enquanto o país acumulava milhares de mortes. “O que ele estava tentando insinuar era que as pessoas que queriam a vacina estavam envolvidas com corrupção”, declarou.

Governo destaca-se da vacinação e defesa do SUS

Já o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a criação da busca de dados preserva a memória das vítimas e evita que erros semelhantes voltem a acontecer no futuro. “O papel da memória é para que a sociedade como um todo nunca mais permita que se repita o que aconteceu durante a condução da pandemia da Covid-19 no nosso país”, disse.

Padilha também destacou ações do governo Lula para recuperar a cobertura vacinal no Brasil e reconstruir o Programa Nacional de Imunizações. “O senhor libertou o Zé Gotinha”, afirmou o ministro ao se dirigir ao presidente.

Segundo Padilha, todas as vacinas infantis passaram a ultrapassar 90% de cobertura no país após a reorganização das campanhas nacionais de imunização.

O autor do projeto, Pedro Uczai relembrou histórias de famílias destruídas pela pandemia e afirmou que o 12 de março deve servir como símbolo de memória, denúncia e defesa da ciência. “Mais de 700 mil mortos pela Covid, mas também órfãos e sequelados pela negação da ciência e pela negação da vacina”, declarou.

O parlamentar citou o caso de Rosana Urbano, considerada a primeira vítima da Covid-19 no Brasil, e relatou que vários membros da mesma família morreram após a contaminação. "12 de março não é só trazer a memória e a história como denúncia, mas também a memória de tantos brasileiros e brasileiras", afirmou.

O Ministério da Saúde também anunciou novas exposições e memoriais em homenagem às vítimas da doença, incluindo instalações com os nomes dos brasileiros mortos pela Covid-19.