MG confirma primeira morte por hantavírus em 2026
Homem de 46 anos, de Carmo do Paranaíba, é a primeira vítima fatal da doença no Brasil em 2026; autoridades reforçam que variante identificada não é transmissível entre pessoas.
A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) confirmou a primeira morte por hantavirose em 2026. Trata-se do primeiro óbito pela doença registrado neste ano no Brasil.
O caso, que evoluiu para óbito em fevereiro, envolveu um homem de 46 anos, morador de Carmo do Paranaíba, com histórico de contato com roedores silvestres em uma lavoura.
Segundo a SES-MG, o caso é considerado isolado e não tem relação com outros registros da doença. A secretaria reiterou que a cepa identificada no Brasil não é a variante Andes — responsável por transmissão entre pessoas e associada ao surto no navio MV Hondius, onde a Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou sete casos.
"A SES-MG também esclarece que um segundo registro atribuído ao Estado não foi confirmado. A Secretaria já solicitou ao Ministério da Saúde a correção da informação nos sistemas oficiais", informou a pasta em nota.
Em 2025, Minas Gerais registrou quatro casos confirmados de hantavirose, com dois óbitos. Em 2024, foram sete casos e quatro mortes, segundo dados oficiais.
No cenário nacional, o Ministério da Saúde registrou 35 casos e 15 óbitos em 2025. Em 2026, até 27 de abril, o Brasil contabilizava sete casos confirmados, distribuídos entre Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Minas Gerais.
Paraná também registra casos em 2026
No Paraná, dois casos de hantavirose foram confirmados em 2026: um homem de 34 anos, em Pérola d'Oeste, diagnosticado em abril, e uma mulher de 28 anos, em Ponta Grossa, com confirmação em fevereiro. Outros 11 casos seguem em investigação no Estado.
A Secretaria de Estado da Saúde do Paraná informou que as variantes do hantavírus registradas no Estado não têm relação com o surto do navio, e reforçou que não há circulação da cepa Andes no Paraná. O órgão mantém monitoramento constante, incluindo vigilância de roedores silvestres em áreas rurais com casos humanos, e afirma que a doença está sob controle no Estado.
O que é hantavirose?
A hantavirose é uma doença transmitida principalmente pela inalação de partículas presentes na urina, fezes e saliva de roedores silvestres infectados pelo hantavírus.
O primeiro registro da doença no Brasil ocorreu em 1993. Desde então, o país soma 2.412 casos, frequentemente associados a atividades agrícolas e ao contato com ambientes infestados por roedores, além de 926 mortes.
Atualmente, há pelo menos nove variantes do vírus em circulação no Brasil, mas nenhuma delas é transmissível entre pessoas.
A manifestação mais comum é a síndrome cardiopulmonar por hantavírus. Os sintomas incluem febre, dores no corpo, dor de cabeça, dor lombar e abdominal. Em casos graves, podem surgir falta de ar, respiração acelerada, queda de pressão arterial, aumento dos batimentos cardíacos e tosse seca.
Não existe tratamento específico para a hantavirose; o atendimento é baseado em medidas de suporte, conforme a gravidade do quadro clínico.
Cuidados e prevenção
As autoridades de saúde recomendam as seguintes medidas para prevenir a doença:
• Armazenar alimentos em recipientes fechados e protegidos de roedores;
• Manter terrenos limpos, evitando acúmulo de lixo;
• Realizar o descarte adequado de entulho;
• Não deixar ração animal exposta;
• Manter plantações afastadas das residências.