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Viajar depois dos 60 é uma forma de manter a independência, revela pesquisa

Levantamento inédito mostra que fazer turismo deixa de ser lazer e se torna uma necessidade do público maduro

Por Assessoria Publicado em 11/05/2026 às 15:44
Ana Carolina Kuwabara, idealizadora do Expo Fórum de Turismo 60+ que este ano chega a sua quarta edição Divulgação

Uma pesquisa inédita, idealizada por Ana Carolina Kuwabara, fundadora do Expo Fórum de Turismo 60+, e realizada pela Data8 com o apoio do Ministério do Turismo mediu o potencial de consumo dos mais velhos no turismo brasileiro e chegou à conclusão de que os viajantes maduros desejam cair na estrada para se sentirem mais livres.

“Viajar para eles vai muito além do lazer, é uma questão de necessidade”, comenta Ana Carolina Kuwabara.

O levantamento mostra que, para 61% dos entrevistados, viajar após os 60 anos é uma forma de manter a independência. Para tanto, a esmagadora maioria (96%) não usa dinheiro de filhos ou outros parentes quando estão viajando. Eles gostam de serem responsáveis por arcarem com seus próprios custos durante as viagens.

O público maduro não economiza para conseguir essa sensação de autonomia: 34% dos turistas com 60 anos ou mais gastam mais do que R$ 10 mil por ano em suas viagens. O estudo também revela que 52% desse público realiza pelo menos três viagens anuais, indicando uma rotina consistente de deslocamentos motivados pelo lazer.

Quase metade (48%) utiliza plataformas, aplicativos e ferramentas digitais para pesquisar destinos e viagens, enquanto 68% já fecham compras online sozinhos ou com ajuda da família, demonstrando um grau de digitalização maior do que muitos estereótipos associados ao envelhecimento sugerem.

Apesar de família e amigos (69%) seguirem como as principais influências na escolha dos destinos, as redes sociais e os influenciadores digitais (15%) vêm ganhando espaço entre os mais velhos. Uma parcela semelhante (16%) prefere fechar tudo online com a agência e não faz questão do atendimento presencial.

A pesquisa revela ainda que, embora tenham flexibilidade maior com datas e possam escolher viajar fora da temporada (87%), quem está nessa faixa etária não quer mais ficar preso a roteiros pré-definidos, mas sempre mantendo a segurança.

Entender esses hábitos se torna uma questão muito importante para a área de turismo e serviços, uma vez que o Brasil está envelhecendo a olhos vistos. Em 2050, o país será a sexta nação mais velha do mundo, com 61 milhões de pessoas (28% da população) nessa faixa etária, assumindo protagonismo entre os mercados que oferecerão mais oportunidades de negócios. Estima-se que o consumo dos 60+ salte do R$ 1,8 trilhão atual para mais que o dobro (R$ 3,8 trilhões) em 2044.

“É nítido, a partir desses números, que temos muitas oportunidades de expandir o turismo no Brasil com a valorização desse consumidor mais velho, com mais tempo para aproveitar a vida em viagens e outras formas de divertimento. O problema é que a maior parte da rede de serviços ligada ao turismo não está preparada para essa oportunidade”, avalia Ana Carolina Kuwabara.

Os dados foram apresentados em São Paulo, no IV Expo Fórum de Turismo 60+, evento anual que tem se dedicado ao tema do envelhecimento. A pesquisa ouviu em todo o país mais de mil pessoas que já ultrapassaram os 60 anos.