SEGURANÇA PÚBLICA

Lula lança programa nacional para sufocar financeiramente o crime organizado

Iniciativa prevê R$ 960 milhões em investimentos e quatro eixos de ação, com foco na desarticulação das estruturas das facções.

Publicado em 11/05/2026 às 14:58
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lança nesta terça-feira (12) o Programa Brasil Contra o Crime Organizado, iniciativa do governo federal voltada a combater facções criminosas em todo o país. O objetivo é reduzir a rejeição do governo nessa área, considerada estratégica para as eleições presidenciais de outubro. Conforme antecipado pelo Estadão/Broadcast, estão previstos investimentos de R$ 960 milhões até 2026.

O programa será estruturado em quatro eixos principais, sendo o destaque para a asfixia financeira das organizações criminosas. Segundo o próprio Lula, a intenção é atingir o "andar de cima" dessas facções, enfraquecendo suas bases econômicas.

O lançamento ocorre no Salão Oeste do Palácio do Planalto, às 10h, com a presença do ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva.

De acordo com a Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), o programa foi elaborado em diálogo com governos estaduais, especialistas e forças de segurança pública. "O objetivo é desarticular as bases econômicas, operacionais e sociais das organizações criminosas em todo o território nacional", afirma nota da Secom divulgada nesta segunda-feira (11).

Além da asfixia financeira, os outros três eixos do programa visam elevar o padrão dos presídios brasileiros, aumentar o índice de elucidação de homicídios e intensificar o combate ao tráfico de armas.

Para sufocar financeiramente o crime organizado, o governo vai investir em serviços de inteligência, com aquisição de equipamentos de última geração e fortalecimento do Comitê Integrado de Investigação Financeira e Recuperação de Ativos (Cifra). Essa iniciativa, em parceria com estados, pretende descapitalizar as organizações criminosas.

Outro eixo do programa é a reforma do sistema prisional, priorizando a melhoria das estruturas dos presídios estaduais.

No combate ao tráfico de armas, o governo federal busca colaboração dos Estados Unidos. Em resposta ao interesse da Casa Branca em classificar as facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas, Lula destacou ao presidente americano Donald Trump que grande parte das armas contrabandeadas para o Brasil tem origem nos EUA.

"O Brasil tem expertise, uma extraordinária Polícia Federal e muita experiência no combate às drogas e ao tráfico de armas. É importante saber que parte das armas que chegam ao Brasil sai dos Estados Unidos", declarou Lula em coletiva de imprensa em Washington, após reunião com Trump na Casa Branca, na última quinta-feira (7).

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César, classificou o novo programa como "muito consistente e engenhoso". Segundo ele, a depender da articulação entre os agentes de segurança pública, a iniciativa poderá ter forte impacto na redução do crime organizado.

"O programa terá quatro eixos estruturantes, que são muito relevantes, e que, bem coordenados, vão produzir um resultado muito relevante", afirmou o ministro após a formatura de novos agentes da Polícia Federal, na última sexta-feira (8).