Mudança no crédito imobiliário visa ampliar disponibilidade de recursos, diz diretor do BC
Nova regra amplia uso de recursos captados a mercado e busca impulsionar o crédito habitacional no Brasil.
O diretor de Regulação e de Organização do Sistema Financeiro e Resolução do Banco Central, Gilneu Vivan , afirmou nesta segunda-feira (11) que a mudança no financiamento imobiliário promovida pela autarquia em 2023 teve como objetivo principal ampliar os recursos disponíveis para o setor e permitir o crescimento da modalidade.
“O uso da poupança sempre foi um ótimo modelo, mas o ponto era que a gente não ia chegar aonde se gostaria com esse modelo”, explicou Vivan, durante uma live do BC sobre o tema. “Era necessário encontrar uma forma de reorganizar o modelo, de modo a captar mais recursos, com uma taxa adequada para o crédito imobiliário.”
O novo modelo, lançado pelo governo em outubro, prevê um aumento gradual do percentual do saldo da poupança destinado ao setor. Atualmente, 65% do saldo é direcionado ao crédito imobiliário. Com a mudança, esse valor poderá alcançar 100%, embora a fonte passe a ser captada no mercado, por meio de instrumentos como Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e Letras Imobiliárias Garantidas (LIGs) .
Na prática, as instituições financeiras captam recursos no mercado e podem usar um valor equivalente ao saldo da poupança para aplicar em ativos, buscando maior rentabilidade do que foi investido pela poupança. Segundo o BC, esse spread pode contribuir para a redução dos juros das operações.
Vivan destacou que a alteração foi motivada pela estagnação do saldo da poupança em termos nominais desde 2020, o que limita o avanço do crédito imobiliário como percentual do Produto Interno Bruto (PIB). Atualmente, o crédito financiado pela poupança representa 6% do PIB brasileiro, enquanto em países de renda média o índice varia de 20% a 30%.
O diretor também lembrou que, antes da mudança, a escassez de recursos já levava as instituições financeiras a buscar financiamento no mercado, o que resultava em taxas de juros mais altas e redução do percentual financiado do imóvel — de 80% para 60% ou até 50% do valor, por exemplo. “As taxas sobem e o volume de crédito diminuído”, concluiu.