MOVIMENTO ESTUDANTIL

Alunos da Faculdade de Medicina da USP aderem à greve e paralisam atividades no HC e HU

Estudantes do internato suspendem atendimentos em protesto contra mercantilização do ensino e por melhores condições de permanência

Publicado em 11/05/2026 às 11:58
USP

Estudantes do internato da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) anunciaram nesta segunda-feira, 11, a adesão à greve, paralisando atividades práticas e atendimentos no Hospital das Clínicas (HC) e no Hospital Universitário (HU). Até o momento da publicação, as unidades de saúde não haviam se manifestado sobre a paralisação.

Entre as principais reivindicações, os universitários criticam o programa "Experiência HCFMUSP na Prática", que permite a estudantes de instituições privadas participarem de atividades no HC mediante pagamento. O movimento afirma que a iniciativa promove a "mercantilização" da formação médica.

Outra demanda importante é a recomposição do quadro de funcionários do Hospital Universitário. Segundo os alunos, a redução de servidores nos últimos anos levou ao fechamento de leitos, diminuição da capacidade de atendimento e sobrecarga das equipes.

A mobilização ganhou força após o encerramento das negociações entre a Reitoria e representantes estudantis sem acordo em torno das reivindicações. Em meio aos protestos, a reitoria da universidade foi ocupada por estudantes em 7 de maio e desocupada pela Polícia Militar na madrugada do último domingo.

Os grevistas também reivindicam o reajuste do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE). A universidade anunciou aumento do auxílio permanência de R$ 885 para R$ 912, mas os estudantes pedem equiparação ao salário mínimo paulista, atualmente em R$ 1.804.

Além disso, apontam deficiências nas políticas de permanência estudantil e relatam problemas estruturais, como falhas no funcionamento dos restaurantes universitários.

Enquanto parte dos alunos adere à paralisação, professores titulares da FMUSP divulgaram manifesto contrário ao movimento, defendendo a retomada das atividades acadêmicas. No texto, reconhecem avanços nas negociações, mas afirmam que "o limite possível das negociações foi alcançado" e alertam para o impacto da greve na reposição de aulas e na formação dos estudantes.

A paralisação desta segunda-feira reúne também estudantes, professores e servidores técnico-administrativos da USP, Unicamp e Unesp. Um ato unificado está marcado para as 14h em frente à reitoria da Unesp, na Praça da República, região central.