ANÁLISE INTERNACIONAL

Guerra contra o Irã abre caminho para avanço econômico da China, aponta mídia

Conflito impulsiona liderança chinesa em energias renováveis e amplia influência global de Pequim, segundo editorial britânico.

Publicado em 11/05/2026 às 06:41
Conflito no Irã impulsiona liderança econômica da China e fortalece seu papel global, aponta análise internacional. © AP Photo / Elizabeth Dalziel

A instabilidade provocada pelos Estados Unidos no Oriente Médio pode se transformar em uma vantagem estratégica para a China, segundo análise publicada pela mídia britânica. O editorial destaca que, apesar das tentativas de apoiadores de Trump de retratar os ataques ao Irã como uma estratégia para enfraquecer Pequim, os desdobramentos favorecem o país asiático.

De acordo com o texto, mesmo com o aumento dos custos operacionais devido às interrupções no estreito de Ormuz, a economia chinesa conseguiu absorver o impacto graças às reservas e à intervenção estatal. Ao contrário do que se esperava, o conflito permitiu que a China ampliasse sua influência econômica em escala global.

Um dos principais argumentos apresentados é que a volatilidade dos combustíveis fósseis acelerou a transição global para energias renováveis, setor no qual a China lidera amplamente.

Segundo a publicação, empresas chinesas detêm 70% da capacidade global de produção de tecnologias verdes, e as exportações de painéis solares e baterias dispararam desde o início do conflito. O editorial ressalta que isso confirma o acerto dos investimentos de longo prazo do governo chinês nessas cadeias produtivas.

O artigo também observa que a política externa "errática" dos EUA prejudicou a imagem do país, permitindo que a China superasse os Estados Unidos em popularidade global em diversas pesquisas. O texto destaca que Pequim está aproveitando esse vácuo de liderança para fortalecer laços comerciais e se apresentar como parceiro confiável e estável para executivos internacionais.

Além disso, a China se consolidou como "fornecedor de último recurso" para suprimentos básicos e desponta como principal candidata à reconstrução da infraestrutura do Oriente Médio.

No campo financeiro, o editorial aponta que a guerra estimulou o uso internacional do yuan, objetivo antigo do governo chinês. O interesse global por tecnologia verde chinesa e o uso da moeda como alternativa à instabilidade do dólar ou a sanções dos EUA aumentaram sua demanda.

Por fim, o texto conclui que, apesar da defesa enfática dos EUA sobre suas ações no Irã, as consequências práticas têm fortalecido a posição estratégica da China no cenário internacional.

Por Sputnik Brasil