Água, não petróleo: recurso vital está sob ameaça na região, alerta especialista
Analista russa destaca que ataques a usinas de dessalinização podem ser mais críticos que danos ao petróleo
A recente escalada de tensões no Oriente Médio evidenciou a importância estratégica da água doce para a região, fundamental para a infraestrutura urbana e a agricultura. A avaliação é da especialista russa em economia e política global, Anastasia Likhacheva, em entrevista à agência Sputnik.
Likhacheva explicou que eventuais ataques a usinas de dessalinização podem causar consequências ainda mais graves para a vida cotidiana local do que danos a refinarias de petróleo.
"Você pode consertar uma refinaria de petróleo: quando um projétil atingir, você perderá dinheiro, mas quando esse projétil atingir uma usina de dessalinização, você perderá água", afirmou a especialista.
Segundo ela, o problema da água na região possui dois aspectos: a necessidade de água potável e a demanda por água doce para irrigação, manutenção da infraestrutura urbana e usos domésticos.
A especialista ressaltou que o Oriente Médio praticamente não possui fontes terrestres de água e as reservas subterrâneas são insuficientes, tornando as usinas de dessalinização essenciais para o abastecimento urbano.
"O que é uma usina de dessalinização? É uma enorme fábrica ao longo da costa que consome muita energia. Praticamente tudo nesses países depende dessa fonte de água. Agora, com a região em conflito militar, os países enfrentam um choque real, pois este é um ponto de vulnerabilidade muito crítico", destacou.
Likhacheva ainda observou que privar a população de água doce não é difícil: basta atingir a infraestrutura energética, pois sem energia não há dessalinização possível.
Durante o recente aumento das tensões com o Irã, o Ministério do Interior do Bahrein relatou um ataque de drone a uma usina de dessalinização no país, resultando em danos materiais.
No final de março, foi reportado que uma usina de dessalinização na ilha iraniana de Qeshm foi danificada por um ataque, e, segundo o Ministério da Saúde iraniano, não há previsão de reparo a curto prazo.
Por Sputnik Brasil