Apreensões de criptomoedas pela PF batem recorde em 2025, mas crime ainda movimenta bilhões
Volume de criptoativos confiscados chega a R$ 71 milhões, mas representa apenas fração do total ilícito operado por organizações criminosas no Brasil.
As apreensões de criptomoedas pela Polícia Federal (PF) atingiram um patamar inédito em 2025, totalizando R$ 71 milhões. Apesar do registro, o valor ainda é pequeno diante dos bilhões movimentados por organizações criminosas em esquemas de tráfico, crimes cibernéticos e lavagem de dinheiro.
O montante apreendido é mais de seis vezes superior ao registrado no ano anterior, mas, segundo levantamento de um jornal de grande circulação, representa apenas uma fração do dinheiro ilícito que circula no país. As operações da PF têm como foco crimes como tráfico de drogas, evidentes de direitos humanos, crimes ambientais, ataques cibernéticos e lavagem de dinheiro.
Nas investigações recentes, a PF localizou bitcoins e stablecoins ligados ao ataque hacker ao Pix do Banco Central, responsável por um desvio de R$ 1,5 bilhão, e um esquema de lavagem que movimentou R$ 12,2 bilhões entre 2017 e 2020.
As criptomoedas também foram identificadas em apurações sobre grandes lavadores de dinheiro, inclusive com conexões com o PCC, e em redes de tráfico humano que enviam brasileiros para golpes em Mianmar e África. De acordo com a mídia, esses ativos digitais são usados por criminosos para transferir valores ao exterior e ocultar a origem do dinheiro.
Dados da Chainalysis mostram que carteiras associadas a atividades ocultas receberam US$ 154 bilhões (mais de R$ 753,5 bilhões) em 2025, cerca de 1% do volume global transacionado. A empresa classifica carteiras como confiáveis ou suspeitas, mas o Brasil ainda enfrenta desafios para mapear essas transações, dificultando o bloqueio de ativos ilícitos.
Os R$ 71 milhões apreendidos contrastam com os mais de R$ 505 bilhões movimentados em criptomoedas declarados à Receita Federal em 2024, colocando o Brasil como líder latino-americano e quinto maior usuário global. A PF confirma que seus dados são limitados, pois não incluem as preensões anteriores a 2023 nem operações das polícias civis.
Para o delegado Vytautas Zumas, ouvido na reportagem, o aumento das apreensões reflete tanto a popularização das criptomoedas quanto o avanço das forças de segurança em investigações digitais. Em 2020, 90% dos policiais entrevistados por ele desconheciam o tema; Atualmente, quase todos os estados contam com núcleos especializados em crimes cibernéticos e criptoativos.
As criptomoedas, antes de vistas apenas como ferramentas do crime, tornaram-se também instrumentos de investigação. Transações em bitcoin são públicas e rastreáveis, e ordens judiciais a corretoras permitiram à PF identificar suspeitos no desvio de R$ 813 milhões do Banco Central, seguindo o rastro das compras de criptoativos.
O cenário criminoso também evoluiu. O bitcoin, que respondeu por metade das transações em 2020, hoje representa menos de 10%. A stablecoin USDT, mais ágil e estável, domina dois terços das operações declaradas. No entanto, a rapidez das transações dificulta o rastreamento pelas autoridades, segundo a mídia.