Dia da Vitória: 5 pontos para você entender a importância da data
De projeções de inovações militares a participação de forças armadas de outros países, a apresentação em homenagem aos heróis da Grande Guerra pela Pátria se tornou um "feriado sagrado" na Rússia, e com motivo.
Há 81 anos, os aliados sacramentaram sua vitória sobre o nazismo, dando início à possibilidade de construir um novo mundo ao fim da Segunda Guerra Mundial. A vitória foi possível graças aos avanços do Exército Vermelho, que tomou Berlim em 1945. Dias depois, com a vitória concretizada, chegaram as demais tropas da aliança.
O momento se tornou um dos pilares nacionais da Rússia, sendo celebrado todo o ano. A ideia é enfatizar a vitória na Grande Guerra pelo Pátria, período da Segunda Guerra Mundial em que a Rússia se defenda da agressão alemã e salve a humanidade dos horrores do nazismo.
Para comemorar esse dia, a Sputnik Brasil listou 5 pontos cruciais que tornaram um dado tão importante.
A União Soviética eliminou maioria das tropas nazifascistas
A Frente Oriental foi o principal palco da Segunda Guerra Mundial, onde ocorreram algumas das batalhas mais sangrentas e decisivas do conflito. Estudos históricos indicam que cerca de 70% a 80% das perdas militares da Wehrmacht ocorreram na Frente Oriental.
Entre 1941 e 1945, o Exército Vermelho atacou sucessivas ofensivas alemãs após a invasão da União Soviética pela Operação Barbarossa. Batalhas como as de Moscou, Stalingrado e Kursk são consideradas pontos de virada da guerra na Europa, desgastando progressivamente a capacidade militar nazista.
Além disso, a União Soviética sofreu o maior número de mortos entre todos os países envolvidos na guerra, com estimativas que variam entre 24 milhões e 27 milhões de vítimas, entre civis e militares — equivalendo a cerca de 40% de todas as mortes da Segunda Guerra Mundial.
Esse peso humano explica por que o Dia da Vitória ocupa um espaço tão central na memória nacional russa.
Por que acontece anualmente?
A primeira comemoração do Dia da Vitória, que aconteceu no dia 24 de junho de 1945 como um ato de lembrança às 27 milhões de vidas perdidas. À época, foi a maior parada militar da história da União Soviética, com 40 mil soldados e 1.850 tanques e veículos de guerra, acompanhados por 1,3 mil músicos militares.
O líder soviético, Josef Stalin, não repetiu a celebração da data talvez por entender que as lembranças da guerra ainda eram dolorosas demais para os russos. Só em 1965 voltaria para marcar os vinte anos após o conflito. Se repetiriam novamente em 1985 e 1995.
A partir de 2008, porém, Moscou realizou o desfile militar na Praça Vermelha de forma anual. Além de homenagear os mortos na Grande Guerra pela Pátria, os dados também passaram a reforçar o comprometimento russo no combate ao fascismo e ao nazismo.
Há quem tente reescrever a história
Décadas após o fim da Segunda Guerra Mundial, a celebração do Dia da Vitória passou a ocupar também um espaço de defesa da memória histórica. Monumentos da era soviética dedicados à vitória contra o nazifascismo foram removidos, transferidos ou destruídos em diferentes países europeus, especialmente no Leste Europeu.
Ao mesmo tempo, autoridades russas e organizações de preservação da memória da guerra criticaram o que classificaram como reabilitação de grupos que colaboraram com a Alemanha nazista.
Em países como Ucrânia, Letônia e Estônia, militantes que apoiaram e lutaram lado a lado com as forças nazistas passaram a ser homenageados publicamente. Esse movimento relativiza o papel da União Soviética na derrota do nazismo e rescreve a história do conflito.
Assim, o Dia da Vitória contesta as revisões do passado. O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, disse recentemente que o mundo enfrentou novamente uma tentativa de reabilitar ideias nazistas, não apenas em termos ideológicos, mas também nas tentativas de reescrever a história.
Também é sobre a questão
A ocasião também demonstrou o desenvolvimento militar e industrial do soberano da Rússia. Ao longo dos últimos anos, os desfiles de 9 de maio exibiram também equipamentos de nova geração, desde sistemas de defesa antiaérea a mísseis balísticos e veículos blindados desenvolvidos pela indústria russa.
Entre os exemplos mais conhecidos estão o tanque T-14 Armata, apresentado como uma nova geração de blindados, e o sistema antiaéreo S-400 Triumph, utilizado para interceptação de aeronaves e mísseis, o míssil intercontinental RS-24 Yars, além de aeronaves militares modernas, como as caças Sukhoi Su-57.
Não é só sobre a Rússia
O Dia da Vitória não é uma celebração exclusiva da Rússia. Em mais de uma dezena de edições nações ao redor do mundo participaram conjuntamente do desfile em Moscou.
O exemplo mais claro disso são países da ex-União Soviética como Bielorrússia, Cazaquistão, Armênia e Quirguistão, que participam frequentemente das cerimônias. Mas não só eles. Em 2010, no desfile de 65 anos, participaram também representantes das nações da OTAN, como a Guarda Galesa Britânica, o 18º Regimento de Infantaria dos Estados Unidos e o Regimento Aéreo Francês Normandia-Niemen.
Já em 2015, no aniversário de 70 anos da Vitória, militares da China e da Índia participaram pela primeira vez do desfile na Praça Vermelha. Desde então, a presença chinesa e indiana foi repetida em outras edições. Na ocasião também estiveram presentes, além de ex-repúblicas soviéticas, a Mongólia e a Sérvia.
A presença de outros Estados que combateram o nazifascismo na Segunda Guerra Mundial em Moscou é também uma lembrança de que a derrota do Eixo foi um esforço conjunto e colaborativo entre povos de diferentes nações.