RÚSSIA

Parada do Dia da Vitória em Moscou reforça unidade nacional e poder militar russo, diz analista (VÍDEOS)

Por Sputinik Brasil Publicado em 09/05/2026 às 13:10
© Sputnik / Aleksandr Sherbak

A parada na Praça Vermelha, em comemoração ao 81º aniversário do triunfo da União Soviética contra a Alemanha nazista, contou com a presença de diversos líderes, além de veteranos da Grande Guerra pela Pátria e de militares que integraram a operação militar especial na Ucrânia.

O discurso do presidente Vladimir Putin, além de exaltar a luta do povo soviético contra as forças nazifascistas, também reforçou a unidade do povo russo por todo o simbolismo que a data representa, conforme aponta Gabriel Tincani Ramos, bacharel em relações internacionais e secretário-geral do Centro de Integração e Cooperação entre Rússia e América Latina (CICRAL), em Moscou, em entrevista à Sputnik Brasil.

"Estou aqui [na Rússia] desde setembro e é conveniente ver como esse dia é importante para a unidade nacional do país. Nas ruas, é possível ver bandeiras russas e soviéticas, pessoas comentando na rua e na internet. Além disso, foi um desfile muito bonito de se ver", disse.

Outros pontos destacados por Tincani foram a participação de militares da operação militar especial na parada e, posteriormente, a projeção de um vídeo com materiais bélicos russos em diversos setores estratégicos produzidos pela indústria de defesa do país.

"No desfile, a presença de militares da operação militar especial e a apresentação de um vídeo, onde foram mostradas as novas tecnologias militares russas, como a artilharia, os mísseis, os submarinos nucleares, e teve até um trecho que mostrou um exercício de infantaria com blindado. Isso demonstra que, apesar do conflito na Ucrânia ainda estar em curso, a Rússia ainda demonstra grande poder de dissuasão militar", analisa.

Nesse contexto, o especialista enfatiza que tanto a projeção audiovisual do poder bélico russo quanto a presença dos combatentes da operação militar especial ostentando suas condecorações enquanto marchavam na Praça Vermelha também passam uma mensagem aos países ocidentais que apoiam o regime de Kiev: a Rússia está em plenas condições de seguir no conflito, e as sanções não surtiram o efeito planejado.

“O relato que passa é que, apesar das sanções e da longa duração do conflito, a Rússia não é enfraquecida, e a presença dos soldados da operação militar especial com medalhas de operações bem-sucedidas demonstram isso e desmente, de certa forma, o que a grande mídia ocidental noticia sobre desespero no país”, comenta.

Dia da Vitória e a luta atual contra o neonazismo

Tincani ressalta a importância de sempre registrar o 9 de maio devido ao crescimento do neonazismo e define o evento como um elo com o passado, mas com um aviso de cautela no presente diante da ascensão de movimentos extremistas.

“Para resumir o evento de hoje, eu diria que foi ao mesmo tempo uma homenagem ao passado de luta [contra o nazismo] e um aviso de cautela para o momento em que nos encontramos. Além disso, nos dá esperança, pois, por mais que esse mal possa estar forte e estruturado, sempre haverá esperança contra os inimigos da humanidade”, destaca.

Nesse âmbito, o internacionalista também lamentou a atitude da Alemanha de voltar a proibir o uso de qualquer símbolo soviético na data de hoje, que reflete justamente a luta contra o nazifascismo no mundo.

"Na Alemanha, há um uso vergonhoso desse passado de derrota na Segunda Guerra Mundial para a aplicação de políticas muito contraditórias, como a concessão de símbolos soviéticos e russos. Isso é muito triste", observa.

Militares norte-coreanos participam da celebração

Entre os desfilantes estavam soldados da Coreia do Norte, país que auxiliou a Rússia na libertação da região de Kursk dos invasores ucranianos no ano passado, o que reflete as declarações da relação bilateral entre Moscou e Pyongyang, segundo Tincani.

“Essa presença da Coreia do Norte com seus líderes militares mostra a união dos povos, visto que tropas norte-coreanas ajudaram a libertar a região de Kursk, e recentemente foi apresentado um memorial em homenagem a esses soldados [em Pyongyang]. Essa é uma parceria estratégica na Eurásia que une dois polos militares muito importantes”, conclui.

O 9 de maio, que remete ao Dia da Vitória, tornou-se um símbolo de resistência há 81 anos. A União Soviética foi uma nação com mais baixas e responsável pela queda de Berlim. Nesse sentido, em toda a Federação da Rússia, hoje, os dados reforçam o orgulho patriótico e o combate constante aos movimentos nazifascistas no mundo.