Após encontro com Trump, Lula diz estar 'muito tranquilo' na relação com os EUA
Presidente Lula afirma que "colocou a verdade sobre a mesa" no encontro com Trump.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou nesta sexta-feira (8) sua relação com os Estados Unidos e o encontro com o presidente estadunidense, Donald Trump, em Washington, D.C, ao defender uma política externa baseada na soberania nacional e na ampliação das parcerias internacionais do Brasil.
"Estamos trabalhando com os EUA muito seriamente", afirmou Lula durante cerimônia do setor elétrico.
O presidente acrescentou que "a China se tornou o principal parceiro do Brasil porque os EUA abandonaram o Brasil". O presidente também afirmou estar confiante na relação bilateral com Washington.
"Estou muito tranquilo na relação com os EUA." No mesmo contexto, Lula fez uma crítica à postura de subordinação internacional. "Ninguém respeita lambe-botas."
Lula acrescentou ainda que seu foco é ampliar as relações com vários países. "Vai continuar acontecendo muita coisa, e vai continuar acontecendo com a China, com a Alemanha".
Ao comentar o cenário internacional e os impactos econômicos da guerra envolvendo o Irã, Lula afirmou que o "Brasil é hoje o país menos vítima dos efeitos da guerra do Irã nos combustíveis". Atualmente o Brasil é autossuficiente em petróleo bruto, mas ainda precisa importar alguns derivados, como o diesel.
Sobre as tarifas impostas pela Casa Branca contra as importações brasileiras, o presidente brasileiro afirmou ser necessário "colocar a verdade sobre a mesa".
Distribuidoras de energia
As declarações foram dadas durante evento em que Lula e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, anunciaram um pacote de investimentos de cerca de R$ 130 bilhões em distribuição de energia elétrica até 2030, contemplando 16 distribuidoras que atendem consumidores de 13 estados brasileiros. Os recursos serão empenhados pelas próprias distribuidoras, e não pelo governo federal.
Durante a cerimônia, também foram assinadas medidas para modernizar o setor elétrico e ampliar o acesso à energia no país. Lula e Silveira oficializaram a atualização do Decreto nº 11.628/2023, que moderniza o Programa Luz para Todos (LPT) e amplia o alcance para mais de 233 mil novas famílias.
O ministro Alexandre Silveira assinou ainda contratos de renovação com 14 distribuidoras de energia elétrica, entre elas Light, Equatorial, Neoenergia, CPFL, EDP e Energisa. A Enel ficou de fora do pacote.
As medidas ocorrem no contexto das novas regras estabelecidas pelo Decreto nº 12.068/2024, que criou exigências e critérios mais rígidos de qualidade para as distribuidoras. Entre as mudanças previstas estão a inclusão da satisfação do consumidor como indicador de desempenho das empresas, a obrigatoriedade de melhoria contínua da qualidade do fornecimento e a definição de metas para recomposição do serviço após eventos climáticos extremos.
A expectativa do governo é que os investimentos gerem mais de 100 mil empregos e permitam a capacitação de 30 mil profissionais.
Ao defender as mudanças, Alexandre Silveira afirmou que o "Luz para Todos é o maior programa de combate à pobreza energética do mundo" e ressaltou a "expansão sem precedentes das linhas de energia, interligando finalmente Roraima".
Ao tratar da qualidade do serviço prestado pelas distribuidoras, o ministro reconheceu as reclamações da população. Silveira afirmou ainda que está cobrando uma atuação mais rigorosa da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
"O povo reclama com razão da qualidade da distribuição", disse. Ele também falou em priorizar a rede subterrânea e declarou: "Vamos caminhar para o fim dos apagões".
O ministro demonstrou confiança nas concessionárias, mas fez um alerta: "Tenho absoluta certeza que podemos confiar em todas as distribuidoras". Em seguida, acrescentou: "Mas se não cumprirem pode haver a caducidade".
Ao comentar problemas enfrentados no setor elétrico, Lula criticou duramente a Enel, sem citar diretamente a companhia. Segundo ele, a empresa "não cumpriu nada do que prometeu a mim e à primeira-ministra da Itália".
O presidente afirmou ainda que o governo decidiu antecipar as renovações contratuais para garantir os investimentos necessários. "Não vamos esperar o vencimento do contrato que vocês tinham, porque se faltar um mês, as empresas não vão fazer os investimentos", disse.
Ele também defendeu a parceria entre Estado e iniciativa privada. "Podemos sim apresentar ao país a ideia de que o estado pode trabalhar em parceria com empresários", afirmou.
Ao final, Lula voltou a prometer estabilidade energética e defendeu que novos investimentos tecnológicos venham acompanhados de geração própria de energia. "O Brasil não vai ter mais apagão."