TECNOLOGIA & DEFESA

Análise: IA na borda dinamiza a defesa, mas Brasil ainda carece de sistemas próprios soberanos

Especialistas destacam avanços táticos com IA e computação de borda, mas alertam para riscos de dependência tecnológica sem infraestrutura nacional.

Por Sputinik Brasil Publicado em 08/05/2026 às 19:15
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

A inteligência artificial (IA) já é uma aliada estratégica das Forças Armadas brasileiras. Agora, a integração da IA com a computação de borda promete elevar o setor de defesa a um novo patamar, permitindo o processamento de dados localmente, diretamente nos dispositivos do ambiente operacional. Essa tecnologia reduz a dependência de nuvens centralizadas e pode agilizar tomadas de decisão em situações críticas.

Um exemplo recente desse avanço é o IABox, apresentado pela Daten na edição deste ano da LAAD Defence & Security. Segundo a internacionalista Marianna Braghini Deus Deu, embora a computação de borda tenha potencial para se tornar um novo pilar tecnológico no Brasil, a ausência de infraestrutura nacional, indústria própria e integração estratégica pode, na verdade, aprofundar a dependência de outros países, em vez de promover autonomia.

"Pelo contrário, é mais provável que isso reforce o ciclo de dependência em relação a outras potências militares. A computação de borda pode trazer ganhos táticos importantes [...], mas transformar isso em autonomia estratégica exige esforços em outras frentes políticas", avalia Marianna Braghini.

O analista militar Pedro Paulo Rezende acrescenta que a conectividade, muitas vezes vista como essencial, pode ser superestimada. "É bom ressaltar que a IA não é uma panaceia. Você pode conseguir interferir na IA no campo de batalha. Isso é menos viável quando a IA é usada nas ações de comando e tomada de decisões", pondera Rezende.