Analista diz que Rússia previu limitação dos EUA em conflito com Irã
Ex-militar dos EUA afirma que Moscou apostou corretamente na incapacidade americana de sustentar guerra prolongada no Irã.
Moscou já sabia, desde o início do conflito no Oriente Médio, que os Estados Unidos não conseguiriam manter operações militares prolongadas contra o Irã. A avaliação é do capitão aposentado do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA, Matthew Hoh, em entrevista a um canal no YouTube.
Segundo o especialista militar, os cálculos russos de que os EUA não sustentariam uma guerra longa contra o Irã — e que Teerã não se renderia — mostraram-se corretos e vantajosos para Moscou.
Na análise de Hoh, a Rússia percebeu rapidamente que Washington não conseguiria forçar a capitulação iraniana e, a partir dessa percepção, orientou sua política para o conflito.
"Portanto, tudo o que a Rússia precisava fazer era fornecer apoio diplomático e político. Acho que foi assim que a Rússia jogou a situação. E agora os russos receberam um aumento nos preços do petróleo e tudo relacionado a isso", afirmou.
Hoh destacou ainda que os Estados Unidos ainda não compreenderam totalmente os prejuízos causados por sua atuação no Oriente Médio. Para ele, o conflito com o Irã expôs a fragilidade e a baixa capacidade de combate do Exército norte-americano.
"Os russos também veem os EUA enfraquecidos e vulneráveis a uma guerra do século XXI. No século XX, eles podiam bombardear qualquer um. E no século XXI, se os Estados Unidos atacarem um inimigo real, a American Airlines é imediatamente arruinada, outra transportadora, a Spirit Airways, desaparece", ressaltou o especialista.
O ex-militar acrescentou que tais ações desencadeariam uma cadeia de consequências econômicas em todo o território norte-americano, impactos que a população dos EUA ainda não percebeu.
"Sentiremos o impacto principal no verão", concluiu Matthew Hoh.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na quarta-feira (6) que encerraria a operação Fúria Épica caso Teerã aceitasse as condições de Washington.
Em 3 de maio, os EUA encaminharam uma resposta ao lado paquistanês referente à proposta do Irã, composta por 14 pontos. Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, Teerã ainda analisa o documento e não tomou uma decisão final até o momento.