MERCADO FINANCEIRO

Juros futuros recuam com dólar mais baixo e queda nos Treasuries, em meio a expectativas sobre EUA e Irã

Desvalorização do dólar e otimismo cauteloso com negociações no Oriente Médio influenciam curva de juros no Brasil.

Publicado em 08/05/2026 às 18:06
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A valorização do real frente ao dólar, que fechou abaixo de R$ 4,90, impulsionou a queda dos juros futuros brasileiros nesta sexta-feira (10). O movimento foi reforçado pelo recuo dos rendimentos dos Treasuries americanos e pelo ambiente de otimismo cauteloso diante das negociações entre Estados Unidos e Irã para encerrar o conflito no Oriente Médio.

Apesar da alta do petróleo no dia, com o WTI subindo 0,64% e o Brent, 1,23%, a commodity acumulou queda de 6% na semana. O mercado entende que, mesmo com a volatilidade, há sinais de acomodação dos preços e expectativas de um possível acordo para o fim da guerra.

Na semana, os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) recuaram cerca de 10 pontos-base nos vencimentos mais curtos e 20 pontos nos intermediários. O DI para janeiro de 2027 encerrou em 14,04%, ante 14,069% do ajuste anterior. O contrato para janeiro de 2029 caiu para 13,50%, contra 13,56% na quinta-feira. Na ponta longa, o DI para janeiro de 2031 fechou em 13,59%, ante 13,66%.

Para Ian Lima, gestor de renda fixa da Inter Asset, a expectativa de resolução geopolítica, aliada ao dólar mais fraco e à acomodação do petróleo, ditou o comportamento da curva de juros. Ele lembrou que a Casa Branca sinalizou avanços nas negociações com o Irã nesta semana.

O economista-chefe do Grupo CVPAR, Marcelo Fonseca, destacou que o sentimento de proximidade do fim do conflito ganhou força ao longo da semana, favorecendo o real e o mercado de renda fixa. "É muito mais pelo cenário externo do que doméstico. Por aqui, o Banco Central enfrenta desafios: economia aquecida, mercado de trabalho apertado e rendimentos acima da meta", avaliou.

Lima acrescentou que, mesmo com ataques recentes entre EUA, Irã e Emirados Árabes Unidos, o mercado segue "cautelosamente otimista" quanto ao desfecho da crise. "Enquanto não houver uma conclusão clara, a volatilidade vai continuar, mas os preços estão mais acomodados", afirmou.

O real mais forte também reflete o preço da commodity em patamares elevados e a divulgação do relatório de emprego dos Estados Unidos (payroll), que reduziu temores de estagflação. Em abril, foram criados 115 mil empregos líquidos, número superior à mediana das projeções, de 63 mil postos.

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